2.22.2011

in italia Portofino

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Portofino é uma comuna italiana da região da Ligúria, província de Génova, com cerca de 529 habitantes. Estende-se por uma área de 2 km², tendo uma densidade populacional de 265 hab/km². Faz fronteira com Camogli, Santa Margherita Ligure.

Deve haver algo de muito inspirador na Riviera Italiana. Monet dizia que era o sol. Para ele, o sol do Mediterrâneo deveria ser pintado com ouro e pedras preciosas. E tão logo você desembarque em algum dos vilarejos pesqueiros da costa da Ligúria vai perceber que o sol daqui tem mesmo vocação de pintor. Em cada parede das casinhas verticais dos moradores, a luz rebrilha num tom diferente entre o vermelho-sangue e o amarelo-palha, oferecendo uma ampla gama de cores solares que nem a mais avantajada caixa de lápis de cor poderia ter. As aldeias da Ligúria são tão iluminadas que até o pior humor pode mudar de rumo diante delas.

italia germania 2011
A água cor de esmeralda faz um belo contraste com os terraços prateados de olivas e avermelhados pelos vinhedos. Os pinos marítimos com suas copas frondosas ficam cada vez maiores com a aproximação do barco. A bela enseada de Portofino desponta entre a vegetação mediterrânea. A pequena baía em forma de ferradura é uma das pérolas da costa mediterrânea. Seja a remo, vela ou a motor, todos os caminhos levam a Portofino. Não por acaso ela é considerada patrimônio histórico da União Européia. Mas lá todo mundo parla italiano, è chiaro!

Portofino se projeta sobre o golfo de Tigullio, no Mar Mediterrâneo, a oeste de Gênova, na região da Ligúria. A fama do lugar atravessa os séculos. No início era um ponto de observação dos antigos romanos, como indicam manuscritos e restos de fortificações. Mais tarde, durante o período das repúblicas marinhas, no século 15, suas águas foram palco de batalhas navais entre genoveses e venezianos. Mas em nenhum destes períodos conturbados da história o encanto do lugar passou em branco. Não foi à toa que os monges beneditinos escolheram a região para fundar o mosteiro de San Fruttuoso.

Hoje, o velho burgo de pescadores é um dos locais mais sofisticados da riviera italiana e de toda a Europa. Ele cresceu muito pouco, continua com a sua forma de meia lua em torno da enseada, mas o prestígio ganhou o mundo. Mansões de época à beira mar e no alto das colinas não comprometem a paisagem. A orla da pequena baía é emoldurada por lojas de grife, cafés e restaurantes, galerias de arte, hotéis e pelas velhas casas com suas fachadas coloridas e desenhadas segundo a técnica do trompoeil.

Ilustres na Itália Medieval

A marina de Portofino pode abrigar até 237 barcos. Milionários e a classe média de todo o mundo lançam âncoras ou amarras na enseada. Mais do que um porto de chegada, a baía é um ponto de partida para descobrir porque Marlon Brando, Elizabeth Taylor, Cary Grant e Grace Kelly, entre tantos reis e rainhas, astros e estrelas, escritores, pintores passaram boas temporadas na região. O ex-primeiro ministro da Itália, Silvio Berlusconi, tinha uma mansão alugada “al mare”.

Ainda hoje Portofino é referência para a “dolce vita” do jet set internacional. Mas para escapar do mundanismo concentrado na Piazzeta, em frente ao cais, basta dobrar a esquina de uma viela qualquer e se deixar levar pelo aroma dos bosques de “lecce”, caminhar à sombra das roupas penduradas no varal das janelas para secar com o “scirocco” [vento seco que sopra da África], ou entrar na igreja de San Martino. Se for de noite, basta seguir a luz do farol.

A beleza natural emoldura atrações bem interessantes em terra firme. Um delas é o castelo Brown erguido no século 15. De fortificação medieval às mãos do Comune de Portofi no, ele passou por Napoleão [1725 — 28] e pelo proprietário inglês sir Montagne Yeats Brown, cônsul em Gênova. Rege a lenda que ele tinha Portofi no à seus pés. Ainda hoje o castelo tem uma das escadarias mais belas de toda a Itália, toda em mármore com azulejos originais em estilo mouro. A vizinha igreja de San Giorgio tem como fundação o costão rochoso de Portofino. Ela foi reconstruída depois de ter sido bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial.

Dezenas de trilhas cruzam o monte da região e levam às cidades como Camoglie, Rapallo e Santa Margherita, todas espremidas entre os apeninos e o mar. As caminhadas cortam as plantações de azeitonas e de uvas. Para quem não quer perder de vista o barco um só instante, o parque marinho de Portofino oferece lagostas, polvos, chernes e outros habitantes do fundo do mar aos olhos dos mergulhadores. Em San Fruttuoso, a 15 metros de profundidade está a escultura em bronze do “Cristo dos Abismos”. A estátua é uma homenagem aos homens que o mar não devolveu. Em dias de muita visibilidade é possível vê-la da superfície.

As praias das redondezas são de pedra. A areia só se encontra no fundo do mar. Com pouco material em suspensão a água é sempre cristalina. Portofino é um daqueles lugares que já dá saudades de ir embora, antes mesmo de chegar. Içar velas e partir é quase um sacrilégio executado em nome da razão, porque se fosse da paixão... o final seria outro.

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