2.11.2011

ETIÓPIA um dos países mais antigos do mundo.

HISTÓRIA DA ETIÓPIA




A Etiópia, anteriormente chamada de Abissínia (referência bíblica), é um dos países mais antigos do mundo. Segundo a tradição, a Monarquia etíope é fundada no ano 1000 antes de Cristo por ?, filho do rei Salomão e da rainha de Sabá (Sheba). O cristianismo é introduzido pelos coptas, vindos do Egito, e torna-se religião predominante no século IV. Na Antigüidade, a sociedade organizava-se em vários reinos, dos quais o império axumita é o mais conhecido. A Etiópia resiste à invasão árabe no século VII, à chegada de missionários católicos portugueses no século XV e à tentativa de colonização italiana no século XIX. Por volta do século XIX, havia-se consolidado uma única monarquia, sob o Imperador Menelik I. A partir de 1870, a região passou a ser cobiçada pela Itália, que então procurava juntar-se às demais potências européias na corrida pela repartição da África. Em 1896, os italianos dominaram a parte oriental da região, estabelecendo a colônia da Eritréia. No entanto, não conseguiram conquistar a Etiópia, tendo sido derrotados pelas forças do Imperador Menelik II, na Batalha de Adwa, a primeira e talvez única vitória militar de uma nação africana sobre o colonizador europeu. Do lado esquerdo, cartão-postal que mostra Negus Menelik (Negus Menelik Emperor Abyssinia), Imperador da Abissínia. Do lado direito, cartão-postal de 1899, ilustrado com o Imperador Menelik II e grafia em amárico...

Inteiro postal da Etiópia, com a efígie do Imperador Menelik II. Engraved by E. Mouchon; typographed by Atelier de Fabrication des Timbres, Paris. Impresso em 15/17 de junho de 1896. O leão que aparece no postal, talvez como símbolo de universalidade histórica mas também geográfica, é o Leão de Judá – símbolo do império do Rei dos Reis, o Negus Menelik.

Nota: existem moedas (Krause Catalog) com a efígie de Menelik II (1889-1913?)...
1896 (KM-5): moeda emitida com valor facial em “talari” ou “birr” da Etiópia.
1897 (KM-12): cunhada na cidade de Paris, moeda de prata com valor facial de 1/20 birr.
1897 (KM-?): com valor facial de 1/32 birr, com a imagem do Leão de Judá (Lion of Judah) no reverso.

Abaixo, cédula emitida em 1976, com valor facial de 100 birr (PK-34), que mostra o Imperador Menelik II. Existem outras duas similares: PK-40 (1981) e PK-45 (1991).

Em 1930, Hailé Selassié assumiu o trono etíope, sendo coroado imperador. Sobrinho-neto do imperador Menelik II, Hailé Selassié I (1892-1975) foi o último imperador da Etiópia, reinando entre 1930 a 1974.

Mesmo tendo promulgado a constituição de 1931, manteve o poder nas próprias mãos, defrontando-se logo com nova ofensiva expansionista da Itália... Teve seu país invadido em 1935, pela Itália, tendo por isso que se exilar. Ao contrário da primeira vez, os etíopes não resistiram às tropas (agora de Benito Mussolini) e o país foi ocupado entre 1936 a 1941, tornando-se parte da África Oriental Italiana. O Reino Unido dá asilo a Selassié e envia tropas à Etiópia, expulsando os italianos em 1941 e reconduzindo-o ao trono. Soldados britânicos ficam no país até 1952. De volta ao poder ele promoveu a reconstrução do país, fez a reforma agrária e adotou nova Carta Magna para o ano de 1955, quando reconheceu o sufrágio Universal. Com o apoio dos EUA, aliados de Selassié, a ONU decide a incorporação da Eritréia pela Etiópia, numa federação sob a soberania da Coroa etíope. A Federação da Etiópia e Eritréia, em vigor entre 1952 e 1962, funciona apenas no papel, pois Selassié não admite autonomia e anexa a Eritréia como província etíope. Guerrilheiros eritreus deflagram a luta pela secessão. Selassié empreendeu uma série de reformas para modernizar o Estado, entretanto outro fato, o envolvimento da Etiópia em uma disputa territorial com a Somália, bem como sucessivas revoltas de camponeses, foram desgastando o regime progressivamente. No final dos anos 60, configurava-se quadro de descontentamento generalizado, alimentado por altas taxas de inflação, desemprego e estagnação econômica. Durante seu reinado, o país inseria-se nitidamente no Bloco Ocidental, mantendo relacionamento privilegiado com os EUA. Em 1974, foi derrubado por um golpe militar, sendo assassinado no ano seguinte.

Inteiro Postal da Etiópia, com a efígie do Imperador Hailé Selassié I. Emitido em 01/03/1952, Hailie Selassie Cards: Designed, engraved, and typographed by Bradbury, Wilkinson & Co., England.

Em 1974, Hailé Selassié é destronado por um golpe liderado pelo general Aman Michael Andom e morre na prisão um ano depois. É proclamada a República e tem início um período de intrigas palacianas. O príncipe herdeiro do trono etíope, Asfa Wossen, filho do último imperador, Hailé Selassié, morre no exílio em 17 de janeiro, nos EUA. 

A Lendária Etiópia

As comunidades negras jamaicanas (garveytas), formadas na decada de vinte, encaravam a África como a terra prometida, em especial a Etiópia, por tratar-se de um Império africano milenar jamais colonizado e responsavel pela preservação de uma cultura sem grandes influencias europeias. A Etiópia que possui cerca de cem dialetos e o aramaico como lingua oficial, também reividica uma ancestralidade bíblica pois afirmam que seus reis são descendentes da união da rainha etíope Makeda de Sabá com o Rei Salomão de Jerusalem, filho do Rei Davi, dessa união teria nascido Menelik I (também chamado de Davi, na Etiópia) e a partir de então surgiria a dinastia salomânica em terras etíopes.
Os textos bíblicos apresentam o rei Salomão como um dos antepassados de Jesus Cristo e o livro etíope Kebra Nagast relata o encontro do Rei de Jerusalem com a rainha de Sabá e consequentemente a origem da árvore genealógica do maior imperio africano de todos os tempos, Etiópia, antiga Abissínia (também chamada de Axum e Cush) a única nação da África citada em todas as versões da Bíblia.
O kebra Nagast é considerado um texto sagrado tanto para os cristãos ortodoxos da Etiópia quanto para os rastafaris jamaicanos. Segundo conta sua historia, a rainha Makeda (também chamada de Balkis ou Belkis) de Sabá (Sul), rainha da Etiópia, sabendo da existência de um sabio rei de Jerusalem, profundo conhecedor das leis divinas, resolveu visitá-lo para conhecer sobre seu reinado e suas convicções religiosas.
A rainha foi recepcionada no palácio de Salomão, que a introduziu na crença de um Deus único e nos princípios da fé judaica. O rei de Jerusalem gostaria de passar a noite com a rainha virgem e ter com ela uma relação sexual, mas esta recusou o convite, porém Salomão propôs um acordo onde ela nao poderia fazer uso de nenhuma riqueza sua. Acreditando ser bastante rica e poderosa, a rainha de Sabá não tinha dúvidas de que não precisaria das riquezas materiais do rei, porém antes de dormir, Salomão ordenou para que seus empregados colocassem bastante sal no jantar da rainha, colocando também uma jarra d´agua na cabeceira de sua cama. Na madrugada, Makeda sentiu sede e bebeu a água, o rei levantou-se e afirmou que ela havia consumido um grande tesouro de seu reino e perguntou se a rainha de Sabá conhecia riqueza maior do que a água. Ambos se apaixonaram e deste encontro a rainha voltou grávida para a Etiópia, deixou animais raros e obras de arte que com muito custo havia carregado com sua caravana ao longo da árdua travessia do Oriente Médio e retornou a África com um presente histórico: O anel que trazia a marca do leão, simbolo da tribo de judá, também da família de Salomão. Seu filho Ebna cresceu sem saber sobre a identidade de seu pai e ao tornar-se adulto conheceu através da sua própria rainha. Ebna foi coroado e nomeado Menelik I e viajou para Jerusalema a fim de encontrar com seu pai. No primeiro momento Salomão duvidou da veracidade de sua paternidade, mas com o passar do tempo sentiu afinidade com o rapaz e ao ver o antigo anel no dedo de Menelik I reconheceu a sua descendência. A partir de então, o rei conviveu com Menelik I e entregou grandes segredos de Jerusalem ao jovem Etíope.
Salomão passava por dificuldades em sua terra natal e confiou-lhe a Arca da Aliança, contendo os dez mandamentos originais de moisés; Menelik I por ordem de seu pai levou as "Tábuas de Moisés" para a Etiópia e fez essa viagem acompanhado por doze mil israelenses judeus. Segundo a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia, a arca mantém-se lá ainda nos dias de hoje e é vigiada e contemplada, por um único sarcedote, que dedica toda sua vida para guardá-la, sendo substituido durante as gerações.
Dessa forma nasceu a dinastia de Salomão na Etiópia, através de uma grande linhagem de reis com laços sanguineos que veio a suceder-se e atualmente no dia da comemoração do Arcanjo São Miguel, os cristãos etíopes desfilam pelas ruas do país com replicas da Arca da Aliança, também chamada de Arca da Convenção.
A dinastia que nasceu com Menelik I, filho do rei Salomão com a rainha de Sabá, introduziu a tradição judaica na Etiópia e desde então o Leão de Judá tornou-se símbolo da família real. Dessa família uma sucessão de reis se desenrolou, recebendo títulos Bíblicos como Salomão, Jacó, Davi, entre outros e no quarto século da era cristã a família real se converteu ao cristianismo ortodoxo, por influência dos egípcios, fundando a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia, no mesmo século em que surgia a Igreja Católica Apostólica Romana, com algumas diferas doutrinárias.
Os Etíopes afirmam que a Arca da Aliança, contendo os dez mandamentos originais de moisés permanece na África por solicitação do próprio rei Salomão, já a igreja católica romana afirma que os dez mandamentos se perderam ao longo da história e não reconhece nenhuma outra versão. Além disso, segundo os ortodoxos egípcios, etíopes, assim com os armênios, a pessoa de Jesus Cristo, embora tenha sido um homem encarnado, apresentava uma única natureza estritamente divina e apenas em 1504 no Concílio da Calcedônia declararam a sua crença Monofisista (uma única natureza fisica de Jesus) e se distanciaram da crença romana que supõe duas naturezas, a humana e a divina, convivendo simultaneamente na personalidade de Cristo.
Durante séculos, os reis e rainhas da Etiópia mantiveram a tradição unicamente judaica, até a conversão de Frumêncio ao cristianismo. Este havia sido um escravo da corte de Axum (Etiópia) e por sua vocação ao estudo, havia conquistado a confiança do rei, tornando-se ele mesmo o secretario particular do monarca e responsável pela educação de seus filhos.
No século IV, mesmo século em que surgia a instituição católica apostólica romana, os egípcios (também chamados de coptas) cristãos realizavam suas práticas religiosas (jejum e oração) no deserto do Egito e eram conhecidos como padres do deserto, entre eles estavam Antão e Atanásio (mais tarde considerados santos). Frumêncio após ganhar a liberdade, visitou o Egito e tornou-se um dos mais dedicados discípulos de Atanásio, recebeu dos cristãos coptas o título de Aba (Pai) Salama (Portador da Luz) e voltou para Axum como o primeiro bispo da Etiópia, também chamado de "Inicio da luz". Canonizado e conhecido hoje como São Frumêncio, fundou, por incentivo de Atanásio, a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia que passou a fazer parte das Igrejas Orientais. A partir de então os reis e etíopes da dinastia de Salomão passaram a se identificar como reis cristãos ortodoxos e São Jorge foi escolhido o padroeiro da nação.
Outros episódios marcam a entrada do cristianismo na história da lendaria Abissínia, mesmo antes do surgimento da Igreja Ortodoxa. Dizem que o apóstolo Mateus foi viver na Etiópia após a morte de Jesus, a fim de evangelizar os africanos e ao chegar lá atraiu um grupo formado em sua maioria por mulheres, liderada pela Princesa Ifigênia. O rei da Etiópia, indignado com a postura da filha que havia negado o convite de casamento de um poderoso príncipe africano, solicitou a ajuda de Mateus, por considerar sua forte influência sobre a princesa. O Apóstolo então respondeu que sua ajuda consistiria em respeitar a vontade de Ifigênia (que não queria se casar) e por esse motivo o rei ordenou que Mateus fosse assassinado.
A princesa escondeu-se com suas companheiras durante muitos anos, dedicou sua vida ao cristianismo e aos ensinamentos de Mateus, fundou o primeiro convento da Etiópia, ainda nos primeiros anos da era cristã e é atualmente conhecida em todo o mundo, até mesmo entre os católicos romanos, como a Santa Ifigênia , a primeira santa negra da história.
Também acreditasse na Etiópia que o apóstolo Filipe, anos após a morte de Jesus, recebeu um chamado divino e caminhou por Jerusalem na direção Sul, encontrando com um eunuco etíope, tesoureiro e ministro da rainha Candence da Etíopia, que chegava em Jerusalem a fim de estudar as escrituras bíblicas. O eunuco lia um trecho do texto de Isaías do antigo testamento (que falava da vinda do messias) e não compreendia a passagem da bíblia. Filipe então contou-lhe a vida de Jesus, dizendo tratar-se da confirmação das palavras proféticas de Isaías. Enquanto percorriam um longo caminho se depararam com um rio, onde o etíope pediu para ser batizado, Filipe então realizou seu pedido e assim o eunuco, até então judeu, levou sua nova crença cristã para a Etiópia convertendo a Rainha Candace.
Com o surgimento da Igreja Ortodoxa na Etiópia, os reis começaram a responder pelo Estado, pelas forças armadas, sendo também líderes da Igreja. Por discordar de certos dogmas católicos, o imperador etíope passou a substituir a figura do papa, recebendo títulos de suma importância. Ao longo da história, os imperadores da Etiópia receberam nomes como Yeshua (Jesus) I, II, III e IV, assim como Newaya Kristos, Yohannes (João) I, II, III e IV, entre outros. Além disso, o detentor do trono etíope era presenteado com o manto escarlate bordado a ouro, o cetro, duas lanças de ouro e o anel de diamante com a figura do Leão de Judá (que afirmavam ser o anel legítimo de Salomão dado a seu filho etíope Menelik I), num ritual repleto de simbolismo e ministrado pelo arcebispo da igreja ortodoxa.
Quando em 1930, Ras Tafari foi coroado imperador da Etiópia, passou a se chamado pelo nome de Haile Selassie I, que em aramaico significa Poder da Trindade. Para os jamaicanos, a coroação de Selassie I, sua ascendência bíblica e seus títulos divinos (Rei do reis, Senhor dos senhores e Leão Conquistador da Tribo de Judá), afirmavam a profecia de Marcus Garvey sobre a vinda do rei negro e assim como os seguidores de cristo ficaram conhecidos como cristãos, desde então os seguidores de Ras Tafari foram identificados como os rastafaris.
Ras tafari foi 225º descendente de sua dinastia e na Jamaica varios pregadores se popularizam por afirmar a fe em sua divindade. Assim, estabeleceram-se diversas vertentes nas montanhas Jamaicanas, fazendo do movimento rastafari um grupo eclético, com rituais e regras variadas, sendo portanto, curiosamente um dos unicos fenomenos religiosos relativamente sem liderança. O papel de Marcus Garvey e Ras Tafari, assim como outros simbolos especificos geraram uma especie de versatilidade religiosa para o rastafarianismo.
Para muitos rastas, Haile Selassie I representa a unica e definitiva vinda do messias, salvador da humanidade e se distanciaramdo simbolismo de Jesus por sua imagem e propaganda européia, para outros, Ras Tafari é a volta de Jesus Cristo, enquanto diversas comunidades rastafaris surgiam com opiniões distintas e em algumas delas seus lideres eram tambem venerados. A partir de então algumas segmentações começaram a ocorrer no movimento, embora diversos traços culturais em comum possam ser encontrados até os dias de hoje.

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