1.25.2011

Freud E A homossexualidade

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Deve-se saber que a causa da homossexualidade é a mesma da heterossexualidade e da bissexualidade: a escolha inconsciente do objeto do desejo. Escolha produzida na trama das relações sociais, sempre bem circunstanciada no âmbito de um sistema de sociedade particular e suas instituições e convenções – o que chamamos de cultura. Nessa esfera, nenhuma escolha é mais natural ou normal do que outra, melhor, pior, superior, inferior. Desde Freud e sua teoria do inconsciente, seguido por Lacan, sabemos, se há alguma razão para se falar de causa, que se aceite que todo desejo é causado e, mais ainda, que todo desejo é uma causa: a causa do sujeito do desejo, isto é, aquilo pelo que cada um se empenha, embora sem saber. E essa é condição a que ninguém e nenhuma escolha escapam. No tocante ao desejo, não há causas mais legítimas que outras. Na política das escolhas do amor e do sexo, todas as causas são igualmente fundadas (causadas) no desejo – e, pois, como desejo, legitimamente existente como um direito, tratando-se do que não inflija sofrimento a ninguém, não constitua violência sobre o outro, agressão à dignidade humana. Não se pode acusar a homossexualidade de nenhuma dessas coisas. Bem ao contrário, pela extensão do preconceito, são os homossexuais que têm sido objeto de discriminações e violências que constituem inquestionavelmente atentados aos direitos humanos e à democracia.

A importância da teorização de Freud está em desnaturalizar a sexualidade humana, demonstrando que todas as escolhas sexuais, como produções de desejo, seguem igualmente determinações inconscientes, não havendo o que se possa chamar de sexualidade normal, natural. Freud consegue isso demonstrando – a partir de material clínico observado – que a sexualidade humana, buscando o prazer, afasta-se do modelo da vida sexual animal, conforme uma economia que, atuando em seu benefício, “perverte” (altera, imprime novo modo de ser) a função da procriação animal. Freud, com a sua teoria da “perversão” – termo que se presta a muitas confusões e manipulado pelo preconceito, mas cujo sentido, no autor, é subversivo –, desenvolve a compreensão crítica segundo a qual não se pode falar de “conformidade à natureza” como critério da “normalidade” quando se trata da sexualidade humana, pois, em si mesma, a sexualidade humana é “perversa”, isto é, alterante, modificadora, transformadora, realizadora de mudanças relativamente ao modelo que predomina na natureza animal.

Ensina-nos Freud, sendo a pulsão sexual humana orientada pela diversidade e parcialidade, a sexualidade dos seres humanos é múltipla, variegada, desordenada, caótica. Nesse sentido, a sexualidade entre os seres humanos é simplesmente contrária à natureza reprodutiva do sexo animal, não havendo razão para se falar de natural/normal e patológico/anormal em matéria de sexo no reino humano. Será a cultura – e seu trabalho de sujeição à ideologia (o que Freud chamava de os Ideais: a tradição, a religião, a moral) – que procurará, domesticando as pulsões, enquadrar os indivíduos. Com a teoria da “perversão”, Freud subverte o conceito de normalidade sexual e desautoriza o preconceito que estigmatiza como anormal/antinatural as formas da sexualidade como a que se expressa na homossexualidade – ainda que muitos psicólogos, psiquiatras e psicanalistas não vejam assim e todo um moralismo social e jurídico teime em afirmar o contrário.

Segundo Freud, a homossexualidade se explica por uma saída "negativa" do complexo de Édipo. Quando o pai da criança não consegue impor limites ao filho, que está literalmente grudado na mãe, o filho não passa a se voltar para as características do pai, e interioriza as características femininas da mãe, inclusive seu objeto de desejo, o homem. Freud cita a relação "pai passivo/mãe dominadora" para este novo triângulo.

Isto se explica pois, uma relação de pai passivo e uma mãe superprotetora, faz com que o pai não consiga "vencer" a disputa com o filho, pela "posse" da exclusividade da mãe. O filho então torna-se homossexual.

É esta a coluna mestra, na teoria de Freud, para uma pessoa se tornar homossexual. Tristann tem uma outra opinião sobre a teoria de Freud e como ela influencia a homossexualidade, o que você poderá ler no texto "Teoria de Freud, até onde podemos considerá-la?".

Alguns psicoterapeutas hoje, adaptaram esta teoria pra nossa realidade do século XX. Muitos vêem como sendo um processo de triangulação entre pai mãe e filho. José Fonseca, médico-psiquiatra e psicodramatista, diz que a criança entra numa "crise de triangulação", por volta dos 4 anos.

Ela se sente ou não rejeitada, quando descobre que além de uma relação entre ela (a criança) e a mãe, há também uma relação entre os dois, pai e mãe.

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