10.18.2010

Para Entender a Arte

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MONA LISA (Leonardo da Vinci)



A Mona Lisa de Leonardo da Vinci é provavelmente a pintura mais famosa do mundo. Está no museu do Louvre, em Paris, protegida por um grosso vidro à prova de balas. (por isso, nem tente) O quadro é surpreendentemente pequeno, contudo, há quase quinhentos anos, a Mona Lisa vem inspirando poemas, canções, pinturas, esculturas, romances, (existem 3 episódios dos Simpsons que são inspirados nela), mitos, boatos, falsificações e roubos, e hoje em dia seu rosto aparece em incontáveis anúncios comerciais no mundo inteiro. Quando foi exibida pela primeira vez, considerou-se que ela trouxe uma nova dimensão de realismo e veracidade à arte da pintura. Como disse o artista e Biógrafo Giorgio Vasari, “...sua boca, unida à coloração de carne do rosto pelo vermelho dos lábios, parecia a de um ser vivo e não de uma pintura... Olhando para a garganta, se pode jurar que o sangue ali pulsava...”.

Interpretando a arte
Cenário Impossível
Olhe com atenção e verá que há duas paisagens ao fundo. O horizonte na paisagem da direita é mais alto, visto de cima; não há como este cenário conectar-se com o da esquerda, que oferece um ponto de vista mais baixo.
O lugar onde as duas paisagens teriam de unir-se está oculto atrás da cabeça de Mona Lisa.

Sobrancelhas ausentes
Por que não há sobrancelhas? A explicação mais provável, é que Leonardo colocou as sobrancelhas como um toque final na tinta seca do rosto, mas a primeira vez que o quadro foi limpo (talvez no século XVII) o restaurador usou um solvente impróprio e as sobrancelhas se dissolveram para sempre.

Janelas da Alma
Será que os olhos de Mona Lisa, como já disseram com frequência, expressam uma sabedoria sobrenatural? O próprio Leonardo descreveu o olho como “a janela do corpo humano através da qual ele espelha o seu caminho e traz para o nosso desfrute a beleza do mundo pela qual a alma se contenta em ficar na sua prisão humana”. (Minha tia que já foi no Louvre sempre conta que os olhos dela parecem te acompanhar enquanto você anda)

Sorriso Enigmático
Qual é o segredo do sorriso de Mona Lisa? Nunca saberemos ao certo, mas as duas paisagens têm algo a ver com isso. A paisagem da esquerda atrai o olho esquerdo para baixo, enquanto a paisagem da direita atrai o olho direito para cima. Este jogo visual de atrações opostas se encontra no centro de Mona Lisa e faz com que o olho “veja” um ligeiro tremor nos cantos da boca. É este tremor que dá a impressão de que ela está prestes a irromper num sorriso mais aberto.

Colunas
Nos lados do quadros, há duas formas estranhas sem nenhum objetivo aparente. Contudo, elas mostram que a pintura originalmente era ladeada por colunas dos dois lados, para reforçar a ilusão de que a Mona Lisa está sentada num balcão. O painel original foi cortado de ambos os lados e as colunas retiradas.

La Gioconda
Quem é ela? Sempre foi chamada de Mona Lisa, isto é, Madonna Lisa di Antonio Maria Gherardini, esposa do rico cidadão florentino Francesco del Giocondo, que em 1503 encomendou a Leonardo um retrato de sua jovem esposa. O quadro também é chamado de La Gioconda. Não se sabe ao certo, porém, se o inquieto Leonardo chegou a terminar a encomenda. É provável que a pintura tenha começado como um retrato da esposa do nobre, mas acabou se tornando algo muito maior – a imagem que Leonardo fazia da beleza perfeita.

A JANGADA DO MEDUSA (Théodore Géricault)



(sim, a Jaganda dO Medusa)
Este quadro de Géricault foi pioneiro ao trazer a arte para a polêmica área do protesto político. Ele representa, em escala heroica, o momento em que os sobreviventes de um navio naufragado veem as velas da nave que irá salvá-los. Esses tripulantes haviam sido abandonados por seu capitão, e sua história escandalizou a nação francesa. O fato foi visto como uma metáfora da corrupção na França após a queda de Napoleão. Do ponto de vista artístico, o quadro proporciona uma interessante comparação com o Juramento dos Horácios, de David, de dimensões semelhantes; as duas obras estão expostas lado a lado no museu do Louvre. A arte de David incentiva o serviço ao Estado; aqui, a arte castiga o Estado por abandonar os que o servem.

Interpretando a arte

O rosto da morte
Buscando autenticidade, Géricault visitou um hospital local, o Hôpital Beaujon, para fazer estudos detalhados dos doentes e moribundos. Chegou até a levar uma cabeça decepada e pedaços de corpos do necrotério para seu estúdio.

Jangada Realista
Géricault mandou fazer em seu estúdio uma reconstrução em tamanho natural dessa jangada, assim como figuras de cera para colocar sobre ela.

Uniforme abandonado
À direita vê-se, abandonado, o uniforme de um soldado francês, metáfora do colapso político e militar da França.

O Argus
Assim como os sobreviventes, precisamos procurar muito para encontrar o navio que por fim os salvou. O Argus era um navio irmão do Medusa, e Géricault o mostra como uma pequenina mancha no horizonte desta enorme tela. O tamanho diminuto do navio serve para realçar o momento dramático captado na tela. Ainda é possível que o navio se desvie sem avistá-los (como já ocorrera uma vez na realidade), destruindo assim todas as esperanças.


 
UMA DANÇA PARA A MÚSICA DO TEMPO (minha favorita *-*) (Nicolas Poussin)



Este pequeno, mas precioso, quadro de Poussin foi encomendado pelo cardeal Giulio Rospigliosim que depois se tornou o papa Clemente IX. Filósofo e dramaturgo, era um colecionador que admirava o trabalho de Poussin. O quadro representa uma mensagem intelectual, ou um quebra-cabeça, e é um tratado em miniatura sobre o tempo, o destino e a condição humana, apelando mais para a razão do que para as emoções; Os quatro dançarinos são figuras alegóricas: a Riqueza, o Prazer, o Trabalho e a Pobreza. Somos convidados a discutir seu significado com um fundo de outros símbolos. Poussin estabeleceu um nível de conteúdo acadêmico e de habilidade técnica que muitos pintores franceses posteriores procuraram imitar, como David e até mesmo Cézanne.
Interpretando a arte
O Trabalho
O dançarino usa uma coroa de louros, folha que não morre e é símbolo da virtude e da vitória. Ele representa o trabalho e tem os olhos fixos na figura da Riqueza.

A Riqueza
Essa dançarina que representa a Riqueza tem uma guirlanda de pérolas no cabelo. O prazer segura-lhe a mão com firmeza, mas ela parece evitar a mão da Pobreza, sem saber se vai segurá-la ou não. Nem a Riqueza nem o Prazer dançam descalços.

O Prazer
A dançarina com elegantes sandálias e uma guirlanda de rosas no cabelo atrai nosso olhar como se nos convidasse a entrar na dança. Esta figura representa o prazer, a luxúria e o ócio.

A Pobreza
A dançarina à extrema direita está vestida com modéstia com um simples pano na cabeça. Ela representa a Pobreza e tenta tocar a fugidia mão da Riqueza.

O Velho Pai, o Tempo
A figura de barba e asas que toca a música para os dançarinos é o Pai Tempo. Sua presença indica o fato inescapável de que, durante toda a dança da vida, a morte está sempre à espera. A morte está presente em todas as atividades e relações humanas.

Homo Bulla
As bolhas referem-se ao conceito de homo bulla – em latim, “homem bolha”, simbolizando a brevidade da vida. Tal como uma bolha, a vida humana dura apenas um breve instante e logo desaparecem deixando apenas uma lembrança.

O cortejo de Apolo (no céu, a parte de cima da pintura)
As donzelas que seguem a carruagem são as Horas, atendentes do deus solar. São as deusas das estações e também dançam num eterno círculo, paralelo à dança representada no primeiro plano do quadro. Aurora, a irmã de Apolo, a deusa do amanhecer, abre o caminho para a carruagem. Ela abre os portões da manhã e afasta as nuvens negras da noite. “Com dedos de rosa”, ela espalha flores por onde passa.

O deus solar
O círculo nas mãos do deus solar, Apolo, representa a eternidade. Apolo representa a ordem e o comportamento civilizado.

GUERNICA (Pablo Picasso)



Guernica, de Picasso, foi mostrado pela primeira vez na Exposição Internacional de Paris em 1937. Foi concebido e executado com grande rapidez em seu estúdio em Paris. Picasso pretendia que seu quadro fosse uma denúncia contra as mortes que estavam destruindo a Espanha na terrível Guerra Civil (1936-39), e contra a perpétua desumanidade do homem. O quadro despertou grandes expectativas e Picasso foi saudado como o mais importante pintor de vanguarda. Ele estava engajado, a política e moralmente, na causa republicana, anti-fascista, da Guerra Civil Espanhola. Assim, era inevitável que o quadro causasse muitas polêmicas, artísticas e políticas, e talvez isso fosse necessário para que tivesse algum efeito. Hoje, meio século depois, é possível avaliar Guernica com alguma objetividade. O quadro já assumiu o lugar de uma das realizações mais significativas do maior gênio da arte do século XX.

Interpretando a arte
O touro
Picasso sempre foi fascinado pelas touradas, velho esporte espanhol, brutal e espetacular, e as imagens da arena de touros aparecem com freqüência em seu trabalho. Embora Picasso afirmasse que o touro em Guernica representa a brutalidade, trata-se de uma imagem ambígua. Parado e abanando a cauda, o touro não parece selvagem. Talvez Picasso tivesse em mente o momento da tourada em que, após um ataque bem sucedido, o touro recua para ver o que fez e prepara seu próximo movimento.

Cavalo em Agonia
Picasso, que raramente dava interpretações de seu trabalho, disse que o cavalo representava o povo. Tal como a mãe à esquerda, a agonia é sugerida pela língua pontiaguda como um punhal. Acima da cabeça do cavalo há uma lâmpada elétrica que sugere o olho de Deus, que tudo vê. (por favor, não dê uma de engraçadinho e diga que o Picasso era Illuminati) Até mesmo a luz parece gritar de horror.

Flor simbólica
Há pouco simbolismo explícito no quadro; aqui, Picasso não seguiu nenhuma linguagem simbólica bem definida. Como em boa parte da arte moderna, o simbolismo é particular e pessoal, e só pode ser decifrado nesta base. Contudo, é difícil não interpretar a única flor no centro (centro inferior) do quadro como um símbolo de esperança, afirmando que uma nova vida continuará a crescer apesar das tentativas do homem de destruí-la. A pungente delicadeza da flor intensifica o horror generalizado dessa cena caótica.

Essas são as análises e interpretações de ALGUMAS poucas obras retratadas no livro Para Entender a Arte.

Espero que tenham gostado *--*

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