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9.26.2010

Griots - Os guardiões da palavra

Griots - Os guardiões da palavra

A tradição oral africana é a maior fonte para a reconstrução histórica das civilizações, por meio da coleta, transmissão e interpretação de informações que permitiram aos historiadores identificar as origens das diversas organizações sociais e políticas e dos movimentos migratórios, além dos relatos mitológicos, épicos e lendas africanas.
O principal grupo de expressão, responsável por transmitir a tradição oral de geração em geração, eram os “guardiões da palavra falada”, cujo conhecimento era obtido por revelação divina e devia ser transmitido com fidelidade, uma vez que a palavra tinha caráter sagrado. Outro tipo de “guardião da palavra” são os griots, trovadores, contadores de histórias, menestréis e animadores públicos, para os quais a exigência da verdade não era tão rígida, podendo fazer uso de linguagem mais livre. No entanto, mantinham um compromisso com a verdade, a fim de manter a coesão grupal e fixar mitologias familiares numa sociedade marcada por relações de hierarquia, autoridade, etiqueta, deferência e referência.
Conheça os povos que aqui chegaram

Para melhor explanar sobre a escravidão no ocidente, a professora Marina de Mello e Souza divide os séculos de comércio negreiro em três períodos (SOUZA, 2007, p. 32):

  • de 1440 a 1580 - Escravos vindos da Alta Guiné, região do rio Gâmbia, eram vendidos em vários partes da Áfricas, em Lisboa, nas ilhas atlânticas na costa africana e nas colônias da América.

  • de 1580 a 1690 – Enquanto ocorriam as guerras angolanas, a produção açucareira crescia no nordeste do Brasil, região de domínio espanhol. De 1640 a 1647, Espanha domina Luanda, capital angolana, e abastece os engenhos brasileiros com escravos de Luanda.

  • de 1690 a 1850 – Devido ao tráfico de escravos, as relações entre Angola e rio de Janeiro e Costa da Mina e Bahia encontram-se muito intensas, até os anos finais da escravidão.

A partir desta periodização, podemos compreender melhor a origem dos principais grupos africanos trazidos ao Brasil. É fato que os africanos embarcados nos navios negreiros vinham de diversas regiões da África. Os caçadores de escravos vinham dos interiores do continente africano em caravanas, arrebanhando pessoas de diferentes povoados. Estes cativos eram agrupados na costa, confinados em barracões, enquanto aguardavam pelo embarque. Ali, eram misturados povos falantes de várias línguas, provenientes de diferentes culturas, cujos nomes eram ignorados pelos caçadores. Era necessário adotar um nome que os identificasse, ainda que genericamente, que os mercadores pudessem utilizar para se referir à sua mercadoria. Assim, povos trazidos ao Brasil, dembos, ambundos, imbandas, quiocos, lubas, e lundas vindos de Luanda, ovimbundos vindos de Benguela, congos e tios vindos de Cabinda, ajudá e lagos vindos da Costa da Mina passaram a ser denominados conforme os portos em que eram embarcados: Angola, Congo, Benguela e Cabinda. Além desses, havia ainda os escravos vindos do Golfo da Guiné, conhecidos como “minas” e, posteriormente, os de Moçambique. Para os traficantes, a mistura de povos era favorável, ao passo que diminuía as possibilidades de os negros se amotinarem ou conspirarem. O negro, arrancado de sua terra e de sua parentela, chegava à nova terra e se via sozinho diante do desconhecido. Tendia, então, a agrupar-se aos negros de culturas parecidas com a sua.

Os povos africanos vindos da região que vai da área abaixo do Saara até, aproximadamente, a linha do Equador são conhecidos como sudaneses (hauçás e iorubás) e os povos vindos da região abaixo da linha do Equador são chamados povos bantos. A influência banta é mais antiga e disseminada no Brasil, ao passo que a iorubá é mais forte em Salvador. Quanto à religiosidade, as religiões de origem iorubá se mantiveram mais perto das raízes africanas e as culturas bantas eram um misto de culturas indígena, portuguesa e iorubá. 
Sobre o viver escravo no Brasil


Não demorava muito para que o negro trazido ao Brasil e submetido à crueldade que caracterizou o sistema escravista vigente percebesse que havia mecanismos para “amenizar” as agruras de sua vida escrava. Manter uma relação de obediência ao seu senhor, defendendo-o, aprendendo a agradá-lo, sendo fiéis e adquirindo sua confiança era o principal deles. Estreitar o relacionamento com o senhorio só era possível após um primeiro passo, que era aprender a língua do colonizador. Da mesma forma, manter o relacionamento com outros escravos também possibilitava o trânsito livre entre ambos os universos.

        A língua portuguesa servia tanto para a comunicação entre senhores e escravos como para a comunicação entre escravos de diferentes línguas. Ao escravo que aprendia a língua portuguesa era dado o nome de ladino, sendo este o escravo que obtinha maior vantagem por poder relacionar-se tanto com os escravos como com os senhores, o que deu origem à menção irônica feita atualmente ao referir-se a alguém cujo hábito seja o de muito falar, o de fazer fofocas ou ainda de “levar e trazer” informações com intuito mexeriqueiro. Àqueles que chegavam ao Brasil e que ainda não tinham aprendido a língua portuguesa era dado o nome de boçal.


* Categorias de escravos

        É sabido que a escravidão existe no mundo desde muito tempo, muito antes da chegada do europeu ao continente africano. Carlos Moore, doutor em etnologia e ciências humanas, exemplifica os tipos existentes na sociedade Wolof, que se organizam de maneira hierárquica, como uma amostra que representa genericamente os sistemas de escravatura existentes nas demais sociedades africanas, conforme segue (MOORE, 2007, p. 229):

- escravo militar: categoria de alta posição social entre os escravos, pois pertencia ao estado e não a um indivíduo. Possuem grandes privilégios e direitos, poder de influência sobre a nobreza, mantém o monopólio das armas. São considerados uma aristocracia escrava. Não são passíveis de venda.

- escravo serviçal: exerce função doméstica, estando intimamente ligado à família, da qual passam mesmo a fazer parte, não sendo passíveis de venda.

- escravo produtor: agricultor pastor ou artesão, que trabalha junto de seu amo, segundo a tarefa que este desempenha.

- escravo-mercadoria: sem direito algum, maltratados, sem nome, sem lar ou afiliação de família, estavam permanentemente sujeitos à venda. Foi desta categoria que surgiram os primeiros contingentes que abasteceram os mercados negreiros árabes e, posteriormente, europeus. Tornava-se escravo mercadoria o indivíduo que cometesse homicídios, latrocínios, estupros, furtos, estelionato e bruxaria. Além de ter sua força de trabalho brutalmente explorada, o escravo-mercadoria correspondia à dinheiro vivo, servindo para pagamento de dívidas pessoais e do estado, entre outras relações comerciais.

Desta última categoria, a de escravo-mercadoria, é que vieram, inicialmente, os escravos trazidos ao Brasil, antes que tivesse início a caçada por homens negros livres nos interiores do continente africano. Aqui, o sistema escravocrata consolidou três tipos de escravos: 1) escravos de lavoura, que trabalhavam no plantio e nos engenhos de cana-de-açúcar, além de outros tipos de cultura; 2) escravos domésticos, que cuidavam das tarefas do lar, das crianças brancas e da cozinha, estando ligados à família do senhor; e 3) escravos de ganho, que trabalhavam vendendo artigos variados ou exercendo pequenos ofícios. Este último tipo desfrutava da confiança de seu senhor, pois era trabalho realizado nos centros urbanos e muitos senhores alugavam cômodos na cidade para que o escravo de ganho pudesse morar e manter o trabalho. Eram remunerados e o ganho era repassado ao senhor. Muitos acabavam recebendo uma parcela pífia do que ganhavam, dinheiro que juntavam por quase toda a vida a fim de comprar sua alforria.
Quanto aos tipos de escravos, havia ainda outras diferenciações. Uns eram legitimamente africanos, outros, crioulos (filhos de africanos ou de crioulos, nascidos na condição de escravo). As relações entre africanos e crioulos eram, geralmente, conflituosas, o que fomentou a noção racial relacionada à escravatura.


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