8.31.2010

Ritos Funerários

ENTERRO

O enterro é, provavelmente, a forma mais antiga de rito funerário desenvolvido pelo ser humano. Existem evidências que os Homens de Neandertal já enterravam seus semelhantes junto com ferramentas e ossos de animais. A sepultura mais antiga de que se tem conhecimento fica no Iraque e tem mais de cento e trinta mil anos de idade.

No mundo ocidental, essa certamente é a maneira mais comum de rito funerário. Até a Peste Bulbônica na Europa, costumava-se enterrar os corpos dentro das igrejas, mas esse rito foi abolido devido à quantidade de corpos que a pandemia gerou.

Aqui no Brasil foi comum o enterro dentro das igrejas até o início do século XIX, daí vem o grande número de igrejas que algumas cidades coloniais tinham (quem já visitou Minas Gerais sabe do que eu estou falando).

CREMAÇÃO

Assim como o enterro, a cremação é um rito bastante antigo, já praticado na Grécia e em Roma no primeiro milênio antes de Cristo. Nessas civilizações, o rito estava reservado às altas classes, sendo os criminosos, assassinos, suicidas e pessoas atingidas por raios (considerado azar na época, quer dizer, ainda é azar tomar um raio na cabeça, mas na época era considerada uma maldição de Zeus/Júpiter) enterrado em covas normais.

No oriente, a cremação chegou no Japão em 552 d.C., tendo sido importado da China. Ela ganhou bastante importância na ilha devido à falta de espaço para o enterro dos mortos.

O processo de cremação também foi amplamente utilizado durante a Peste Negra na Europa, para evitar que a doença se alastrasse pela população mais ainda. Os restos mais antigos de um corpo cremado datam de sessenta mil anos atrás e ficam (essa eu duvido você chutar certo) na Austrália, na região do Lago Mungo.
MUMIFICAÇÃO

Outro rito bastante conhecido por praticamente todo o mundo. A mumificação é o processo de embalsamento do corpo para sua preservação. Os povos praticantes da mumificação acreditam que um dia o morto vá renascer e, para isso, ele precisa do seu corpo preservado.

Apesar do que se acredita em geral, as múmias mais antigas ficam na América e não no Egito. Mesmo não sendo embalsamadas como as egípcias, elas também participaram de ritos religiosos. Existem múmias da América do sul que datam de 7400 anos, e foram preservadas pelo clima árido de onde foram encontradas (nas regiões desérticas do atacama) e em outros locais de toda a América do Sul e do Norte.

No Egito, a mumificação era feita de duas formas, para os nobres e para os ricos. Existia ainda um terceiro tipo de mumificação, a solar, que era destinada ao Faraó.

A mumificação solar era realizada da seguinte forma: após a morte do Faraó, seu corpo era cozinhado até as suas carnes se desprenderem dos ossos. Esses eram pintados de vermelho e enfaixados. Após isso, o corpo era estocado com gesso e a imagem da pessoa era pintada por cima. Concomitantemente com esse processo, uma estátua que serve para abrigar a alma do morto era fabricada. O corpo era secado ao sol para que ele trouxesse luz à alma do morto antes do processo ser encerrado.

A mumificação osiriana era o método que era empregado na nobreza e também no faraó (quando o método solar não era aplicado). Ele foi descrito primeiramente pelo grego Heródoto em 450 a.C. Segue uma cópia descarada da Wikipédia de como o processo é efetuado:

1 – O cérebro é tirado pelas narinas, através de um instrumento curvo, mexe-se no cérebro que é uma massa mole, e este se liquefaz. Injeta-se vinho de tâmara, ajudando a dissolver mais o cérebro. Vira-se o morto e o cérebro escorre pelas narinas
2 – É aberta uma incisão no abdômen e todos os órgãos internos, exceto o coração, são retirados, embalsamados e colocados em jarros chamados de canopos. Em seguida, o corpo é enchido com saquinhos de sal (Natrão) e mergulhado em uma espécie de bacia um pouco inclinada com um furo de um lado, para que seus líquidos escorram. Após isso, a múmia é literalmente enterrada por 72 dias. O sal absorve todo o líquido do corpo
3 – Após estes 72 dias, o corpo, que está escurecido e ressecado, é retirado. Enxertam-se resinas, aromas, perfumes, bandagem, pó de serra, isto para dar a conformação do corpo. Depois disto, a abertura no abdômen é costurada, e é colocada uma placa mágica, geralmente com o desenho dos Quatro filhos de Hórus e de seu olho;
4 – Começa, então, o processo de enfaixamento com metros e metros de tiras de pano de linho com goma arábica, até fazer a composição que vemos nas múmias. A cada volta, colocam-se amuletos e colares. Assim a múmia está pronta para o enterro, sendo que no caso do Faraó este enterro era acompanhado de um extenso ritual, repleto de encantamentos, realizado por sacerdotes.

Para finalizar, temos a mumificação dos pobres. Uma injeção de ervas e de vinhos corrosivos eram injetados pelo ânus e o corpo ficava em descanso por alguns dias para que a solução fizesse efeito. Após isso, o que tinha sido corroído era removido de dentro do corpo e ele enfaixado e devolvido aos seus parentes para que eles fizessem o enterro delas.

Múmia da Rainha Egípcia Hatshepsut (essa apareceu em Civilization 4 no lugar da Cleópatra)

Torres do Silêncio

As torres do silêncio são usadas pelos seguidores da religião de Zoroastro ou Zaratrusta. Essa religião é chamada de Dualista e consiste na lutra entre Aúra-Masda (considerado como o bem) e Arimã (que representava o mal). Essa religião foi praticamente extinta com a conquista do Irã pelos Árabes, sendo que boa parte dos praticantes ou se converteram ao Islamismo, ou se refugiaram na Índia ou foram mortos. Apesar do antagonismo com o Islamismo, as duas religiões têm bastante em comum (assim como ela tem em comum com o Cristianismo e com o Judaísmo) como a ressurreição, um paraíso e um dia do juizo final.
Para os Zoroatristas, tanto a terra como o fogo são considerados sagrados.
Posto isso, os corpos dos mortos não podem ser enterrados, pois contaminariam o solo, nem queimados, pois o fogo também seria contaminado, de modo que seus corpos, após o falecimento, são depositados em construções chamadas de torres do silêncio, para serem consumidas pelos abutres, além de ficarem mais perto de Aúra-Masda no céu. Costuma-se construir três torres para os mortos, uma para os homens, outra para as mulheres e a terceira para as crianças. Caso não haja recursos para tal, ela é dividida em três, sendo cada setor para uma das categorias de defunto.
Uma curiosidade: quando Alexandre, o Grande, venceu os persas na Batalha do Granico, suas tropas enterraram os persas achando que estariam prestando homenagens fúnebres aos derrotados e ficou bastante surpreso quando soube que os persas haviam ficado revoltados com o ato. Alexandre sentiu vergonha da sua ignorância e nunca mais cometeu o mesmo erro depois daquilo, sempre construindo Torres do Silêncio após suas batalhas para que os mortos fossem sepultados conforme os seus costumes.

Rio Ganges
Quem viu Caminho das Índias, lembra que o Rio Ganges é o rio sagrado do Hinduísmo (na verdade, existem mais seis rios sagrados (e eu não faço idéia do nome deles), considerado como purificador e um local onde os idosos vão para morrer para assim se libertarem do ciclo do Samsara, a roda de re-encarnações que, segundo o Hinduismo, todo o ser vivo passa.
Além desse tipo de morte, cadáveres são cremados nas margens do rio e têm suas cinzas depositadas nele. Os que não podem pagar uma cremação simplesmente abandonam os corpos no rio para apodrecerem, e há também mães que afogam as crianças recém-nascidas nas suas águas como oferenda aos Deuses.

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