7.26.2010

Curitiba

Um passeio pelos 311 anos de Curitiba
A presença portuguesa no sul do Brasil intensificou-se a partir da metade do século XVII, que representa, na história da colonização portuguesa, um período de vazio institucional. Após o fim do período filipino, iniciara-se um processo de penetração partindo da capitania de S. Vicente em direção ao sul. Nascem, então, as vilas litorâneas de Paranaguá, São Francisco e Laguna. No planalto curitibano, formam-se arraiais de mineradores, como os do Arraial Queimado, da Borda do Campo e o Arraial Grande. Alguns remanescentes de bandeiras de apresamento de índios fixaram-se nas regiões do Barigui, Botiatuva, Campo Magro, Passaúna e Uberaba. Foram esses mineradores e membros das bandeiras que formaram a população do povoado de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais, quando por volta de 1654 mudam-se do Atuba para junto do Rio Ivo, tendo como ponto central a atual praça Tiradentes, ao redor da qual erguem uma capela e suas casas.
            A descoberta de ouro na região desperta o interesse tanto da coroa como dos herdeiros dos donatários da antiga capitania de Santo Amaro, o conde da Ilha do Príncipe e o marquês de Cascais, que passam a disputar essas terras. O segundo cria a capitania de Paranaguá, de efêmera duração. A lacuna de poder é ocupada pela figura ambígua de Gabriel de Lara, que atuou tanto como representante do conde da Ilha do Príncipe, como governador em nome do marquês de Cascais ou como agente da coroa portuguesa.
            Em 1668, ocorre uma tentativa de tomada de posse da povoação por Gabriel de Lara, em nome do marquês de Cascais. No ano seguinte, Lara erigiu um pelourinho, símbolo do poder e justiça. Trata-se de mais um lance na disputa entre os presumíveis herdeiros da capitania.
            Vinte e cinco anos depois, Mateus Leme, morador da povoação, que fora nomeado capitão-povoador por Gabriel de Lara, instala oficialmente a vila. Em março de 1693, a pedido dos moradores, é criada a Câmara e reinstalado o pelourinho. No entanto, este ato foi feito em nome da Coroa. Desde sua fundação, Curitiba vinculou-se diretamente ao poder régio e não ao poder senhorial de qualquer donatário.
            Aos 29 dias do mês de março daquele ano, na Igreja da povoação, juntou-se o povo da vila para realizarem as eleições de seus juízes, vereadores e procurador do concelho. Com isso, instalava-se a câmara municipal, com suas instâncias de justiça e de administração.
A partir de então, a câmara passou a funcionar um pouco frouxamente. Em 1711, a Coroa incorporou as capitanias meridionais ao seu patrimônio e passou a administrá-las diretamente. Entretanto, foi somente na década de 1720 que enviou, em direção ao sul, um ouvidor para correger as câmaras da região e enquadrá-las nos preceitos das ordenações. Da passagem deste ouvidor pela vila de Curitiba, em 1721, resultou uma espécie de manual de sobrevivência administrativa entregue aos vereadores. Trata-se dos Provimentos do Ouvidor Geral da Capitania de São Paulo, Rafael Pires Pardinho, que os redigiu para “o bom regime desta república, e bem comum dela [...] evitem as desordens em que até agora alguns tropeçavam por ignorância, e os maliciosos não tenham já a desculpa de ignorantes”. Na realidade, a maior parte desses provimentos busca sintetizar o que as ordenações determinavam sobre a administração municipal e a ordem urbana.
            Apesar de institucionalmente estabelecida, a vila de Curitiba assemelhava-se a muitas outras pequenas vilas e cidades do interior do Brasil no início do século XVIII: poucas e modestas casas que serviam de pouso principalmente nos dias de missa e comemorações religiosas. As pouco mais de duzentas habitações nas primeiras décadas do oitocentos eram baixas e cobertas de telhas, raramente caiadas e com diminutas calçadas diante delas. As ruas largas e regulares eram exigência expressa pelo poder municipal, que tentava a todo custo dar à vila um aspecto urbano. Todavia, as vacas, os porcos e  as cavalgaduras insistiam em permanecer no quadro central, sujando as ruas e destruindo o calçamento. Afinal, nessa época a vila de Curitiba era um importante ponto de passagem das tropas que vinham do sul em direção a São Paulo e Rio de Janeiro com a finalidade de abastecer de gado e muares as minas recém descobertas de Minas Gerais.
            Desta forma, Curitiba, que ficava praticamente no meio do caminho entre Viamão (RS) e a feira de Sorocaba (SP), experimentou um gradativo desenvolvimento econômico fruto do ciclo do tropeirismo. A vila foi crescendo e acolhendo novos moradores. A primeira leva de imigrantes europeus chega à cidade vindos de Santa Catarina. A região que até então foi habitada por índios (guaranis, caingangues e xokleng) e posteriormente por portugueses começa a ficar mais diversificada. Na segunda metade do século XIX, novas e maiores levas de imigrantes buscam um lar na cidade. São principalmente italianos, poloneses e ucranianos, entre outros que chegavam em menor número.
            O tropeirismo foi gradativamente perdendo sua importância econômica, que foi substituído pelo compensador ciclo da erva-mate, que aristocratizou a cidade, rendendo perceptíveis progressos. Novas construções embelezavam e davam mais vida à Curitiba. Lojas, teatros, igrejas, uma estação ferroviária especialmente construída para ajudar a escoar a produção ervateira e até mesmo uma universidade vão preenchendo os espaços urbanos.
            Na medida em que as primeiras décadas do século XX passavam a erva-mate deixava de ser o principal gerador de riquezas na região. A exploração da madeira passa a ocupar o lugar de produto econômico mais atrativo no Paraná. Essa exploração ganha força com a pavimentação da Estrada da Graciosa, em 1872, e a conclusão da referida ferrovia Curitiba-Paranaguá, em 1885. a melhoria nos caminhos para o porto estimula as exportações. Com o início da Grande Guerra, em 1914, a exploração do pinheiro ganha impulso e cresce, na medida em que o ciclo do mate entra em declínio.
            Curitiba cresce lentamente, acompanhando os ciclos econômicos que agregaram à cidade riquezas e muitos novos habitantes. Uma nova fase do crescimento vai se operar anos mais tarde, quando uma reorientação econômica atrai para a região importantes empreendimentos. É criada no início dos anos 1970 a Cidade Industrial de Curitiba. No aspecto urbano a cidade também vai se transformando, projetos urbanísticos são encomendados e tentativas de implantação são colocadas em prática. Entretanto, vai ser após a criação do Plano Preliminar de Urbanismo que Curitiba vai assumindo o aspecto que tem atualmente.
            No final do século XX uma nova proposta econômica atrai para a região de Curitiba investidores de grande porte que se interessam nas possibilidades que a cidade oferece no cone do Mercosul. Pessoas do Brasil e do mundo continuam chegando e junto com elas os problemas urbanos que habitam as grandes metrópoles do mundo moderno.
            Hoje, em pleno século XXI, Curitiba é uma grande cidade, referência nacional e mundial de políticas urbanas que visam o aumento da qualidade de vida de seus munícipes. Com uma variedade cultural imensa, a pequena vila que surgiu nos idos do século XVII com poucas casas baixas transformou-se numa metrópole.


 fonte
http://pessoal.educacional.com.br/up/20021/1111376/t138.asp

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