bruxas da luz: PEIXES VENENOSOS

2.04.2010

PEIXES VENENOSOS

Peixe venenoso
Os Peixes Escorpião
 Coloridos e Perigosos
Têm um aspecto de guerreiro japonês antes de começar uma batalha. Com a sua couraça cheia de espinhos, a sua grande boca, os seus grandes olhos e as barbatanas desproporcionadas, estes peixes têm um aspecto muito pouco apetecido. O nome do grupo onde estão incluídos deriva da designação científica, Scorpaenidae, que significa família dos peixes escorpião.

A família dos peixes escorpião é constituída por cerca de 350 espécies que são comuns nas zonas litorais de zonas tropicais e temperadas. Os peixes escorpião mais habituais em Portugal são os rascassos, rocazes, boca-negra e os cantarilhos (para os nomes científicos, ver caixa no final).


Ecologia

A coloração nestes animais é importante. Graças ao padrão variável e cores quentes que cobrem o seu corpo são capazes de se confundir voluntariamente com o fundo desaparecendo do olhar dos seus predadores e das suas presas. O mimetismo chega, nalgumas espécies, à associação de outros organismos. É, por este facto, possível observar um peixe escorpião com pequenos gastrópodes, ou com hidrozoários ou poliquetas a crescer sobre o seu corpo.

Rocáz com um pequeno gastrópode na "bochecha" de modo a passar mais despercebido aos perdadores e presas.
Foto: J Fontes - ImagDOP
Ficheiro 1 e 1a

Esta capacidade de “passar desapercebido” é essencial para a estratégia de alimentação, já que, geralmente, estes animais ficam imobilizados sobre o fundo até que uma presa passe por perto. Nesse momento, projectam-se sobre ela e, com a sua boca criam um vácuo que a suga. O acto de sugar dura um instante (ca. 15 milissegundos), o que dificulta a fuga da presa. As presas mais comuns deste predador bentónico incluem rainhas, peixes-rei, gorazes juvenis, pequenos crustáceos e cefalópodes.
Para se protegerem dos predadores, a maioria das espécies de peixes escorpião, para além da coloração e da mobilidade reduzida, apresenta sistemas físicos de defesa como é o caso de espinhos ao longo do corpo e nas barbatanas. Algumas espécies, como o Scorpaena maderensis, possui um veneno que injecta quando pressionado. Quando sentem perigo, e de forma a afastar eventuais predadores, os peixes escorpião costumam assumir uma postura ameaçadora eriçando expressivamente os seus espinhos venenosos.

Realce-se que a estratégia de reprodução varia conforme a espécie de peixe escorpião. Embora a maioria das espécies tenham fecundação interna, algumas espécies são ovovivíparas (Pterois volitans), outras ovíparas (e.g. Scorpaena notata) e, imagine-se, algumas são mesmo vivíparas (e.g. Sebastes paucispinis). A reprodução varia conforme a espécie. No caso do S. maderensis, ela ocorre entre Março e Junho, apresentando posturas faseadas ou múltiplas. As posturas de ovos estão protegidas por uma massa gelatinosa flutuante que ajuda a aumentar o raio de dispersão dos novos indivíduos.

O peixe desta família mais apetecido para o caçador submarino e para o pescador é o rocaz. No entanto, para a preservação da espécie, o caçador ou pescador consciente não deveria capturar indivíduos anteriores à primeira maturação. Ou seja, no caso do rocaz em particular, não se deve capturar indivíduos com menos de 2 anos, o que significa com comprimentos inferiores a 30cm (ca. 500g). Em termos de vulnerabilidade, aceita-se que uma população desta espécie pode ficar em risco de extinção se se pescar abaixo dos tamanhos de primeira maturação durante 10 anos. Estes estudos de resiliência são muito importantes e dos mais difíceis em ecologia. Daí que uma aproximação precaucionária exija o respeito pelos tamanhos mínimos, épocas de defeso e zonas protegidas.


Identificação

Apesar da família ser conspícua e distinta das restantes famílias de peixes, não é fácil distinguir as diferentes espécies presentes nas nossas águas. Para fazer uma identificação correcta e científica é necessário contar o número e disposição de espinhos na cabeça, entre outras características mais ou menos conspícuas. No entanto, quando estiver na presença destes animais tenha em atenção o tamanho, a forma e quantidade de barbilhos no maxilar inferior e o padrão da coloração dorsal. Se tiver dimensões reduzidas (inferiores a 25 cm), bandas corporais sobre fundo cinzento a acastanhado e pequenos e escassos barbilhos brancos deverá estar na presença de um Scorpaena maderensis. No caso de não ter quaisquer barbilhos poderá ser um S. notata. O S. porcus tem uma camuflagem perfeita (pelo que passa muitas vezes completamente despercebido), não tem apêndices por baixo do maxilar inferior e apresenta uns pequenos mas complexos “cornichos” por cima dos olhos. Se os tons do corpo forem castanho escuro estará provavelmente na presença de um S. laevis. Se as dimensões forem elevadas (superiores a 30 cm) e com fartos barbilhos no maxilar inferior, então, estará provavelmente na presença de um S. scrofa.
Os restantes peixes não costumam frequentar as mesmas profundidades que os mergulhadores, por isso não é essencial descrever aqui métodos práticos para a sua identificação.

Scorpaena maderensis
Foto: RPatzner - ImagDOP
Ficheiro 2

Scorpaena scrofa
Foto: FCardigos - ImagDOP
Ficheiro 3

Scorpaena notata
Foto: JFontes - ImagDOP
Ficheiro 4

Scorpaena porcus
Foto: FCardigos - ImagDOP
Ficheiro 5

Helicolenus dactylopteurs dactylopterus
Foto: GMenezes - ImagDOP
Ficheiro 6

Trachyscorpia cristulata echinata
Foto: GMenezes - ImagDOP
Ficheiro 7

Veneno

Se tiver o azar de tocar num peixe-escorpião o mais natural é ser injectado pelo seu veneno. Tome em atenção que o peixe escorpião nunca o atacará. Se for injectado é porque, voluntária ou involuntariamente, o encurralou ou o calcou. Se tiver alguma razão para crer que a espécie que o injectou pode ser do Género Synanceia (peixes-pedra) Corra, ou faça-se transportar para a urgência de um hospital ou para um lugar onde seja provável existirem medidas de suporte. Este grupo de espécies, que não ocorre no Atlântico, é extremamente perigoso e pode matar em pouco tempo. Existe um antídoto, mas tem de ser aplicado imediatamente após a picada.
As restantes espécies não são, na maioria dos casos, letais para o homem. Em termos cronológicos a primeira sensação, depois de uma picada de peixe escorpião, é a dor ou dormência. Esta terá o seu máximo uma a duas horas depois do evento. A dor, em si, pode durar até 12 horas. Depois desse período, pode ainda causar uma sensação incómoda durante dias a semanas. A dor pode ser acompanhada de ferida, sendo esta punctiforme (um ou mais pontos), que pode evoluir para vesículas (em particular nas mãos) e a que está sempre associado um grau variável de edema. A agravar o quadro, todos estes eventos podem ser acompanhados de náuseas, enfraquecimento, perturbações respiratórias e tensão arterial baixa...
Como se disse, se nas duas horas a seguir ao acidente a intensidade destes sintomas for grande - ou na dúvida - deverá recorrer a um serviço de urgência hospitalar. Não hesite neste passo, a diferença pode ser um resto de férias estragado. Enquanto a vítima não for entregue aos cuidados médicos poderá fazer algumas coisas: delicadamente remova os espinhos visíveis (guarde-os, pois podem ser úteis na identificação da espécie), administre um analgésico para reduzir a dor, em caso de hemorragia pressione directamente para a controlar e, em certos casos extremos, terá de realizar a CPR - ressuscitação cardio-pulmunar (esperemos que esteja preparado para a fazer). Se possível ligue para o Centro de Intoxicações (telefone - 808250143), aí saber-lhe-ão indicar o que deve fazer de acordo com o acidente que descrever. No momento da entrega da vítima aos cuidados médicos deverá ter em atenção: 1) informar que esta foi vítima de uma picada de peixe escorpião indicando, se possível, a espécie (entregar eventuais espinhos); 2) relatar os sintomas e a operação de manutenção/recuperação seguida até aí 3) descrever eventuais alergias ou outros problemas crónicos da vítima.
Não aconselhamos, mas em casos menores, poderá utilizar o método dos pescadores algarvios, que consiste em queimar, com a ponta de um cigarro, o local da lesão.
O melhor é seguir algumas regras básicas: não andar descalço nas zonas húmidas da praia ou nas poças de água salgada, particularmente à noite. No caso do mergulho, não pensar que o fato é obstáculo para os peixes escorpião! Os raios penetrarão tão facilmente estes obstáculos como se fosse a própria pele. O melhor é mesmo não tocar no fundo, não se esqueça que estes animais são extremamente miméticos. Normalmente, nota-se a presença de um peixe escorpião quando é tarde demais.


Outras Curiosidades

Alguns destes peixes têm valor comercial e são utilizados para a alimentação. Neste caso estão incluídos os rocazes. Em Portugal são também muito apreciados os boca-negra e os cantarilhos, essencialmente capturados por linha e anzol.
Ao contrário do senso comum, os peixes-leão (como o Pterois volitans) são os menos venenosos dos peixes escorpião. Nesta escala ascendente, seguem-se os Scorpaena spp. e no topo está o Synanceja verrucosa, considerado o peixe mais venenoso do mundo. Este último é vendido vivo nos mercados de Hong-Kong. Serve para alimentação, mas também é utilizado como peixe ornamental em aquários.

Nos Açores ocorrem 11 espécies de peixe-escorpião, sendo a mais comum Scorpaena maderensis e a mais rara S. azorica. Esta última foi considerada endémica dos Açores durante muito tempo. No entanto, recentemente, um segundo exemplar foi encontrado no Mediterrâneo, sendo esta apenas a segunda vez que se observou esta espécie!


Para saber mais

Nomenclatura

Sistemática das espécies que ocorrem em Portugal

Filo: Chordata;
Sub-Filo: Vertebrata;
Superclasse: Teleostomi;
Subclasse: Actinopterygii;
Ordem: Scorpaniformes;
Família: Scorpaenidae.
Espécies:
Helicolenus dactylopteurs dactylopterus
Pontinus kuhli
Scorpaena azorica
Scorpaena laevis
Scorpaena loppei
Scorpaena maderensis
Scorpaena notata
Scorpaena porcus
Scorpaena scrofa
Scorpaenodes arenai
Setarches guentheri
Trachyscorpia cristulata echinata

Nomenclatura
Nota: Az – Açores; CV – Cabo Verde; CVC – Crioulo de Cabo Verde; Ct - Catalão; FAO – reconhecido pela FAO; Pc – Portugal continental; STPC – Crioulo de São Tomé e Príncipe; Mz - Moçambique.
Espécie
Português
Castelhano
Inglês
Francês
Helicolenus dactylopteurs dactylopterus
Cantarilho-legítimo, Boca-negra (Az), cantarilho (CV), fanhama (CVC)
Rascasio rubio (FAO)
Blackbelly rosefish (FAO), bluemouth rockfish
Sébaste chèvre (FAO), rascasse du fond, rascasse du nord
Pontinus kuhlii
Cantarilho-requeime, bagre (Az), cântaro (Az)
Rascacio de fuera
Offshore rockfish
Rascasse du large
Scorpaena azorica
(muito raro, não possui nomes comuns)
Scorpaena laevis
Rascasso do Senegal (CV), charroco (CVC), Come mole (STPC)
Rascacio del Senegal (FAO)
African rockfish, senegalese rockfish (FAO)
Rascasse du Sénégal (FAO)
Scorpaena loppei
(muito raro, não possui nomes comuns)
Cabracho
Cadenat's rockfish
Rascasse de Cadenat
Scorpaena maderensis
Rascasso, coça (Az), cantarilho (CV)
Poyo, rascacio de Madeira
Madeira rockfish
Rascasse de Madère
Scorpaena notata
Rascasso (Pc, CV), coça (Az), carneiro (CV)
Cabracho, escórpora
Small red scorpionfish
Petit rascasse
Scorpaena porcus
Rascasso-de-pintas, coça (Az),
Cabracho, rascacio
Black scorpionfish
Rascasse brune, porc
Scorpaena scrofa
Rocaz, cantarilho-legítimo (CV), Fanhama (CVC)
Cabracho (FAO), cap-roig (Ct)
Red scorpionfish (FAO), largescaled scorpionfish
Rascasse rouge (FAO)

Scorpaenodes arenai
(muito raro, não possui nomes comuns)
Rascassio de Messina
Messina rockfish
Rascasse de Messine
Setarches guentheri
Requeme de natura (CV), Ruqueme-de-natura (Mz)
Rascassio serrano (FAO), rascassio acanalado
Deepwater scorpionfish (FAO), channelled rockfish
Rascasse serran (FAO), rascasse sillonnée
Trachyscorpia cristulata echinata
(muito raro, não possui nomes comuns)
(não possui nomes comuns)
Spiny scorpionfish, Atlantic thornyhead
(não possui nomes comuns)








Glossário

  • Bentónico – peixe que, em relação à coluna de água, ocupa preferencialmente uma posição junto ao fundo.
  • Endemismo - fenómeno da distribuição das espécies (ou subespécies) animais ou vegetais referida a uma área restrita e mais ou menos isolada (Porto Editora, 2002).
  • Gastrópode - Classe de moluscos com cabeça diferenciada e pé alargado (ex. caracol ou lesma).
  • Goraz – grupo de peixes do género Pagellus spp. Nos Açores os pequenos Pagellus spp. são chamados de carapau.
  • Hidrozoários – Animais do Filo Cnidaria e da Classe Celentrata. São caracterizados pela sua forma de pólipos ou de medusas, que vivem agrupados em colónias ou isolados. As sua formas sésseis são muitas vezes confundidas com plantas.
  • Ovíparo - Designação dos animais que põem ovos no exterior e nos quais o embrião está pouco ou quase nada desenvolvido. Os ovos são postos pelo elemento feminino e desenvolvem-se, pelo menos em parte, fora do corpo materno. São ovíparos a maioria dos animais, com excepção dos marsupiais e dos mamíferos placentários. (Porto Editora, 2002).
  • Ovovivíparo - Designação dos animais em que o embrião se desenvolve no interior do corpo materno, embora esteja separado pelas membranas ovulares que se mantêm durante todo ou quase todo o desenvolvimento. Os ovos desenvolvem-se e nidam no oviduto da fêmea. São ovovíparos numerosos insectos, alguns gastrópodes, peixes, e alguns sáurios e ofídios. (Porto Editora, 2002).
  • Peixe-rei – peixe da espécie Coris julis.
  • Rainha – peixe da espécie Thalassoma pavo.
  • Resiliência – capacidade de um sistema ecológico absorver tensões criadas por perturbações externas, sem que se altere (adaptado de Munn, 1979).
  • Resistência – capacidade de isolamento de um sistema ecológico em relação a perturbações externas.
  • Scorpaenidae – família sistemática que inclui os peixes-escorpião.
  • Vivíparo - diz-se do animal (vertebrado) que, no estado embrionário, vive parasitando o organismo gerador, como a grande maioria dos mamíferos (Porto Editora, 2002).

Saiba mais sobre diferentes animais venenosos.
Quase todos os animais precisam caçar para comer. Ao mesmo tempo, têm de ficar atentos para não virar lanche de outros bichos. Por causa disso, muitos são equipados com chifres, dentes ou garras. Alguns também se protegem fugindo, pois correm eu nadam bem. Mas existem animais com um jeito especial de garantir sua sobrevivência: são venenosos. Em geral, eles não contam com outros recursos de defesa e não gostam de briga, fugindo diante do perigo. Esses bichos estão divididos em dois grupos: venenosos e peçonhentos. Os primeiros têm no corpo substâncias tóxicas, mas não injetam no inimigo. È o caso dos sapos. Já os peçonhentos, como cobras e aranhas, têm estruturas que inoculam veneno.

Sapos e Rãs
Belas e Feras
Todos os sapos produzem substâncias tóxicas. Já as rãs raramente são venenosas, mas algumas que vivem na América Central e do Sul estão entre os animais venenosos do mundo. As suas cores vibrantes são um aviso: o animal que toca nelas pode ficar paralisado e morrer em poucos segundos. A rã mais venenosa é chamada de sapinho-ponta-de-flecha, pois índios da Colômbia usam o veneno dela na ponta de flechas nas suas caçadas.

Polvo de anéis azuis
Alerta
O polvo de anéis azuis é do tamanho de uma bola de bilhar e parece inofensivo. Mas, se percebe alguma ameaça, seu corpo fica coberto de manchas azuis que são um aviso para o inimigo. Se ficar acuado, ele morde o atacante e libera um veneno muito forte pela saliva. Esse polvo vive em águas quentes e rasas da costa da Nova Guiné, da Indonésia, das Filipinas e do Japão.

Baiacu
É um balão? não, é um peixão!
Quando pressente algum perigo, o baiacu engole muita água e se infla para parecer maior. Se o predador não desistir, vai ter uma péssima surpresa: ele é venenoso. Algumas espécies, além do veneno, possuem espinhos. Os baiacus geralmente nadam devagar e vivem em locais onde há muitos outros animais em busca de alimentos.

A Vespa do mar
Poder Máximo
A vespa do mar é uma água viva e tem o veneno mais poderoso. O animal que toca em seu corpo é atingido por milhares de agulhas microscópicas, cheias de veneno poderosíssimo. Existem vespas-do-mar no Brasil, mas as mais perigosas são as que vivem na Austrália.

Peixe Escorpião
Segredos do Mar
Uma das espécies marinhas mais perigosas é o peixe-escorpião. Ele possui espinhos que são como agulhas e injetam veneno quando um predador encosta em seu corpo. Outro que mete medo é o peixe pedra da Austrália, que se camufla entre recifes e libera veneno se for tocado.

Você sabia que
- O besouro-bombardeiro solta gases venenosos que afastam seus caçadores? O cheiro é horrível, mas o veneno não é muito forte.
- Existe uma ave venenosa? É o pitohui, que vive na Nova Guiné.
- A cobra mais venenosa do Brasil é a coral?
- O ornitorrinco é mamífero e possui veneno? Os machos têm um esporão na pata traseira que injeta veneno.

Importante: Não se aproxime de animais venenosos e, se encontrar um deles, avise seus pais e saia de perto. Se encostar sem querer em algum deles ou for picado, não toque no local ferido e procure um médico.
tartaruga de couro
Nassif - especialista em répteis e animais peçonhentos

Características e Hábitos

O nome comum desta tartarua deve-se a seu casco, feito de uma camada fina, dura e borrachuda de pele, muito parecida com o couro. Esta pele é reforçada por milhares de pequenas placas ósseas. Trata-se do casco, que não é, portanto, visível.
O casco é negro com pintas azuladas e o plastrão varia entre tons esbranquiçados e preto. Sua carapaça é característica, larga, alongada e flexível, possuindo sete grandes quilhas no sentido do comprimento e mais cinco plastrão. Filhotes possuem manchas brancas na carapaça. A coloração é negra com manchas brancas, azuladas e rosadas; a cabeça e as nadadeiras são recobertas de pele sem placas ou escudos, sendo que as manchas podem ser azuladas e rosadas; a coloração do ventre é similar à carapaça, porém com manchas mais claras.
Nassif - especialista em répteis e animais peçonhentos
Suas grandes e fortes nadadeiras permitem que leve uma vida em oceano aberto, nadando grandes distâncias. Estas tartarugas têm uma extensão de cerca de 2,7 metros da ponta de uma nadadeira dianteira à ponta da outra. Nenhuma das nadadeiras possui garras.
A tartaruga de couro, como muitas outras tartarugas, reproduz-se em terra. Embora passem a maior parte da vida a mar aberto, e sejam fertilizadas lá, as fêmeas saem da água para fazer seus ninhos e depositarem seus ovos.
As estações de desova acontecem em intervalos de dois ou três anos. A cada estação a fêmea faz de seis a nove ninhos, em intervalos de dez dias. Geralmente, 110 ovos são postos por ninho. 80 fertilizados e 30, menores, não fertilizados. O tempo de incubação dos ovos é de 65 dias.
Economicamente, a importância das tartarugas de couro para os humanos é positiva. Apesar de se acreditar que estas tartarugas sejam tóxicas, as fêmeas reprodutoras são mortas regularmente para obtenção de comida em algumas áreas como Guyana, Trinidad e a costa do México no Pacífico. Os ovos também são apanhados para comida.
A Tartaruga de couro é uma das duas espécies de tartarugas marinhas tóxicas para humanos e outros animais. Só que esta afirmativa ainda não é totalmente confirmada. A carne deste animal possui, supostamente, uma substância chamada chelonitoxina, cuja química ainda é desconhecida. Esta substância é a mesma presente na tartaruga oliva (Lepidochelys olivacea), a outra tartaruga venenosa. Os sintomas observados são náusea, vômito, diarréia, senação de queimação nos lábios, língua e boca, perfuração no estômago, dificuldade para engulir, hipersalivação, pele rachada, coma e morte.
enguia eletrica

A enguia elétrica encontra-se disseminada por vários pontos da bacia amazônica e seus afluentes.
Conhecido pelos habitantes locais como poraquê, é um animal muito respeitado, já que, no seu meio de origem, se acredita que tem efeitos curativos, principalmente no que respeita a problemas reumáticos.
Quando se sente em perigo, ou quando pretende anestesiar as suas presas, faz uma descarga elétrica, que pode atingir os 500 V, embora faça por norma descargas mais pequenas.
Poraquê ou enguia-elétrica, é uma espécie de peixe que tem capacidade para nadarem em pé e podem lançar descargas elétricas usando-a para se comunicarem, se localizarem (sua visão é muito reduzida),atordoarem a presa ou se defender.O poraquê pode chegar a três metros de comprimento, sendo uma das conhecidas espécies de peixe-elétrico, com capacidade de geração elétrica que varia de cerca de 300 volts a cerca de 0,5 ampère até cerca de 1.500 volts a cerca de 3 ampères.
“ Poraquê” vem da língua indígena tupi, e significa “o que faz dormir” ou “o que entorpece”, dado às descargas elétricas que produz. Também é chamado de enguia, enguia elétrica, muçum-de-orelha, pixundé, pixundu, pixunxu, ou, simplesmente, peixe-elétrico, embora não seja o único “peixe-elétrico” existente.
Típico da Amazônia (rios Amazonas e Orenoco), bem como dos rios do Mato Grosso, também encontra-se em quase toda América do Sul. O poraquê ficou conhecido mundialmente por sua capacidade de produzir descargas elétricas elevadas (até cerca de 1.500V, até cerca de 3 ampères, não simultaneamente nesses valores), suficientes para até matar um cavalo, e desperta a curiosidade de muitos pesquisadores. Essas descargas são produzidas por células musculares especiais, modificadas – os eletrólitos, sendo o conjunto deles denominado de mioeletroplacas. Cada célula nervosa típica gera um potencial elétrico de cerca de 0,14 volt. Essas células estão concentradas na cauda, que ocupa quatro quintos do comprimento geral do peixes Variam de cerca de 2 mil a mais de 10 mil mioeletroplacas que um peixe-elétrico adulto possui, conforme o seu tamanho. Dispõem-se em série, como pilhas de uma lanterna, e ativam-se simultaneamente, quando o animal encontra-se em excitação, como na hora da captura de uma presa ou para defender-se, fazendo com que seus três órgãos elétricos – o de Sach, o de Hunter e o órgão principal – descarreguem.
Apresenta coloração negra tendente ao chocolate-escuro, salpicada de pequenas manchas amarelas, vermelhas ou branco-sujo, corpo alongado, cilíndrico, e providoapenas de nadadeira anal, que percorre grande extensão do abdome. Sua cabeça é achatada e a boca é equipada com uma fileira de dentes cônicos e afiados. o peso corpóreo de um poraquê adulto pode atingir 20 quilos. Necessita vir periodicamente à superfície (a cada oito minutos, em média), para “engolir ar” (respirar). Preferem águas calmas e lamacentas fundas; freqüentemente encontrado em planícies costeiras, pântanos e ribeiras, mas também é encontrado onde existem biótipos favoráveis. Filhotes alimentam-se de invertebrados, adultos alimentam-se de peixes e pequenos mamíferos.
As enguias reproduzem durante a estação seca. Os ovos são depositados em um ninho feito da saliva, e bem escondidos , construído pelo macho . No campo de observações, uma média de 1200 embriões foram eclodido. As contagens dos ovos fecundados foram tão elevadas como os documentado de 17000 ovos. O macho irá defender o seu ninho vigorosamente. Na reprodução, os ovos são liberados pela fêmea; o desenvolvimento da ninhada ocorre fora do corpo da mãe.
A vida útil da enguia elétrica no estado selvagem é desconhecida. . Viver em cativeiro do sexo masculino entre 10 e 15 anos, enquanto que as fêmeas costumam sobreviver entre os 12 e os 22 anos.

o "peixe pedra" 

O peixe venenoso mais perigoso é o peixe-pedra, que se enterra e tem um veneno que pode ser mortal. Os espinhos em seu dorso são, basicamente, "agulhas hipodérmicas", disse William Leo Smith.
Além disso, acrescentou, o peixe-pedra tem controle sobre o lançamento de seu veneno " que ocorre quando ele se assusta ou é provocado.
Outras espécies, como o peixeleão, não podem soltar o veneno a menos que algo atinja seus espinhos. Os peixes-leão são bonitos e populares entre donos de aquário.
Smith imagina que eles provavelmente tenham se estabelecido nas águas norte-americanas após serem importados por atacadistas na Flórida, mantidos em tanques ou poços ao ar livre e depois jogados no oceano por algum furacão. Os peixes-leão também são rudes, segundo Smith.
Eles se arremetem contra mergulhadores e batem seus espinhos venenosos na máscara de oxigênio. Sites na Internet alertam que o peixe-leão pode até fincar a mão amiga que limpa o tanque onde estão. Se os espinhos atingirem a carne, eles se quebram e deixam fragmentos dolorosos na pele além de sua arma química.
A dor pode ser intensa. O melhor tratamento é mergulhar a ferida em água bem quente por pelo menos 30 ou 40 minutos. A idéia é não retirar o veneno, mas, essencialmente, cozinhálo. Feitos de proteína, os venenos podem ser destruídos pelo calor.
Choques
Um dos peixes venenosos preferidos de Smith é o stargazer, que se enterra e pode disparar choques elétricos e veneno. Em algumas culturas, ele é uma iguaria (o cozimento destrói o veneno, coisa que o trato digestivo humano também faz).
Smith também diz que já viu a espécie à venda em peixarias de Manhattan, Nova York, com o órgão elétrico retirado pelos pescadores. Smith comprou recentemente um pequeno stargazer em uma loja de animais de estimação e o deixa em um aquário em seu laboratório no museu.
No aquário, o peixe se esconde debaixo de um montinho de areia até sair graciosamente " com cautela, para não se assustar e emitir choques " e mostrar aos visitantes sua cara feia antes de se reenterrar bruscamente.
Synanceia verrucosa: o peixe mais venenoso do mundo! por isso convém mesmo saber distingui-lo, apesar de ser perito na arte de camuflagem (parece que não existe no Atlântico).
Mas as barbatanas são lindas!
 baiacu

1. Baiacu é o nome popular dado a cerca de 150 espécies de peixes capazes de inflar o corpo quando se sentem ameaçados por um predador. O inchaço é um mecanismo de defesa para o baiacu parecer muito maior do que é - e, assim, afugentar o inimigo
2. O processo começa com o peixe engolindo uma grande quantidade de água, que vai se armazenando no estômago. Como esse órgão é muito elástico, ele infla como uma bexiga, deixando o baiacu com uma forma esférica e até três vezes maior que seu tamanho normal!
3. Como também tem uma pele superelástica, o baiacu não "rasga" quando incha. Outra parte do corpo adaptável é sua espinha: flexível, ela pode se curvar para acompanhar o novo formato do corpo
4. Quando o baiacu já está com o "tanque cheio", uma válvula localizada na base da boca do peixe é empurrada na direção dos dentes. Assim, ela fecha a saída para água armazenada no estômago
5. Algumas espécies têm espinhos na pele que ficam mais visíveis e ameaçadores quando o animal infla. Isso também ajuda a intimidar o predador e deixa o baiacu parecido com um monstro pré-histórico!

Veneno letal

Carne do peixe pode matar ou "dar barato". Depende do cozinheiro...
Outra característica curiosa dos baiacus é que muitos são venenosos. Sua carne tem uma substância altamente tóxica, a tetrodotoxina. Apenas 2 gramas dela são suficientes para matar uma pessoa! O veneno fica concentrado na pele e em órgãos do peixe. Mesmo assim, o baiacu é uma iguaria apreciada no Japão, onde é conhecido como "fugu".
Para não intoxicar os fregueses, os cozinheiros precisam limpar o animal com uma técnica muito precisa, removendo as partes venenosas. Mesmo os pedaços comestíveis ainda têm traços do veneno, deixando uma certa dormência na língua e apresentando um leve efeito narcótico.
A arraia é perigosa São cerca de 500 espécies, a maioria de água salgada, mas também é encontrada em quase todas as bacias hidrográficas da América do Sul. No mar ou nos rios, sua ferroada é extremamente dolorida, embora não seja mortal Fotos: Vidal Haddad O corpo achatado e em forma de disco faz das arraias peixes extremamente exóticos. Graciosas e aparentemente inofensivas, escondem na parte menos vistosa do corpo, a cauda, um potente ferrão. Quando nadam em liberdade, não são capazes de atacar uma pessoa. Mas, se forem tocadas, disparam por reflexo uma espécie de chicotada, ferroando o corpo da vítima e provocando dores terríveis que persistem, nos casos mais graves, por até dois dias. Arraia-pintada Quem nada em rios, principalmente os do Pantanal e da Amazônia, sabe muito bem que deve-se entrar na água rastejando os pés no fundo, para não haver perigo de pisar nas arraias, que ficam semi-enterradas na areia em águas rasas, buscando pequenos peixes para se alimentar. Muitos pescadores são vítimas do ferrão quando fisgam o peixe e tentam tirá-lo do anzol (o correto seria pisar sobre o ferrão com um sapato, e aí retirar o anzol). No mar, onde vive a maior parte das espécies de arraias, os pescadores profissionais ficam expostos a acidentes quando vão retirar o bicho dos espinhéis ou da rede. Arraia-bicuda comuns na costa brasileira
Se a fama das arraias é proporcional à potência de seu veneno, há um grande desconhecimento a respeito dos procedimentos se houver acidente. Foi o que descobriu o dermatologista Vidal Haddad Júnior, pesquisador do campus de Botucatu da Unesp — Universidade Estadual Paulista, depois de dois anos acompanhando o atendimento do pronto-socorro da Santa Casa de Ubatuba, em São Paulo. Em 140 casos de acidentes envolvendo peixes venenosos documentados, oito foram de arraias. A maioria das vítimas teve ferroadas por bagres. No hospital, não se sabia, por exemplo, que a imersão do local da ferida em água quente alivia muito a dor. “A água quente degrada o veneno, diminuindo o grau de envenenamento (intoxicação)”, explica Haddad.



Ferrão ósseo, arma de defesa que fica na cauda



Em hipotética escala de 1 a 5, na qual 5 seria o veneno mais dolorido, o ferrão dos bagres estaria no nível 1; o das arraias, no nível 3; e o do peixe-escorpião (também conhecido como mangangá), o pior dentre os peixes brasileiros, no nível 5. Esse peixe é parente do peixe-pedra, que vive nos mares australianos, e é o único capaz de matar uma pessoa com o veneno.

Na pesquisa, que teve como produto o Atlas de Animais Aquáticos Perigosos do Brasil: Guia Médico de Identificação e Tratamento, Vidal Haddad constatou que nem todas as arraias possuem ferrão. É o caso das gigantescas e inofensivas arraias-jamanta. Nas arraias-elétricas (Narcine brasiliensis), o maior perigo são descargas de até 50 volts. O trabalho do dermatologista da Unesp prosseguiu pelos rios brasileiros, onde observou-se que o ferrão das arraias de rios produzem efeitos mais drásticos que as de água salgada. Mas é bom frisar: ambos são terríveis!! . 
User-agent: Mediapartners-Google*
Disallow:

Seguidores

Follow by Email