6.20.2009

Transgênicos

Transgênicos



Greenpeace
Contra a liberação de Organismos Geneticamente Modificados no meio ambiente.

O Greenpeace se opõe à "última novidade" das multinacionais do ramo químico, os organismos geneticamente modificados (também conhecidos como transgênicos), por considerar que os resultados de sua aplicação no meio ambiente são imprevisíveis, incontroláveis e desnecessários. O objetivo da engenharia genética é transferir genes de uma espécie para outra, visando adicionar alguma propriedade nova a uma outra planta ou animal. Por exemplo, tornar plantas resistentes à aplicação de herbicidas ou antibióticos, de modo que os agricultores possam aumentar o uso desses agrotóxicos, sem matar os seus cultivos. Alguns tipos desses organismos geneticamente modificados (OGMs) já estão sendo cultivados em escala comercial e são ingeridos como alimentos em algumas partes do mundo, como a soja RR da Monsanto, o milho BT da Novartis, e a canola BT, também da Novartis.

O Greenpeace se opõe à esse tipo de experiência, porque sabemos que as conseqüências nocivas de novas tecnologias muitas vezes só poderão ser percebidas após muitos anos. Entre as possíveis conseqüências da engenharia genética, os cientistas prevêem o empobrecimento da biodiversidade, na medida em que a mistura (hibridação) dessas plantas modificadas geneticamente com outras variedades possa criar "super-pragas", a eliminação de insetos benéficos ao equilíbrio ecológico do solo, o aumento da contaminação dos solos e lençóis d'água, devido ao uso intensificado de agrotóxicos e, consequentemente, o desenvolvimento de plantas e animais resistentes a uma ampla gama de antibióticos e agrotóxicos.

Conseqüências preocupantes para a saúde humana seriam o aparecimento (ou o aumento) de alergias provocadas por alimentos geneticamente modificados, o aumento da resistência a antibióticos e o aparecimento de novos vírus, mediante a recombinação de vírus "engenheirados" com outros já existentes no meio ambiente. Caso algumas dessas conseqüências negativas da engenharia genética ocorram, será impossível controlá-las, pois à diferença de outros poluentes químicos, os OGM, por serem formas vivas, são capazes de sofrer mutações, se multiplicar e se disseminar no meio ambiente. Ou seja, uma vez aí introduzidos, não podem ser removidos.

Finalmente, o Greenpeace considera uma peça de cinismo "marquetológico" o argumento de que a engenharia genética ajudará a reduzir a fome nos países pobres. Os especialistas nesse tema são unânimes em afirmar que a melhor maneira de garantir a segurança alimentar é proteger e desenvolver a diversidade das agriculturas locais, combater as práticas agrícolas que causam empobrecimento dos solos, poluição química e esgotamento dos recursos hídricos, estimular a agricultura familiar e comunitária e trabalhar para eliminar a pobreza. As multinacionais que estão promovendo a engenharia genética são as únicas que têm a ganhar com essa perigosa experiência com a natureza. Mas infelizmente muito governos, seduzidos pelos lucros de curto prazo com que ela acena, têm financiado a pesquisa em engenharia genética e reduzido as restrições legais ao plantio e comercialização de alimentos geneticamente modificados. Nos países onde estes OGMs já estão nas prateleiras dos supermercados, sequer o direito de escolha do consumidor vem sendo garantido, pois em nenhum deles está em vigor uma legislação que obrigue a sua rotulagem. E isso apesar de várias pesquisas de opinião terem mostrado que a opinião pública não deseja consumir esse tipo de alimentos.

Na luta contra a liberação de organismos geneticamente modificados no meio ambiente, o Greenpeace está trabalhando junto com outras entidades ambientalistas, de consumidores, cientistas independentes, produtores agrícolas e pecuaristas, populações indígenas, fabricantes de alimentos, comerciantes atacadistas e varejistas. O Greenpeace tem bloqueado navios que chegam a portos trazendo soja e milho geneticamente modificados, de procedência norte-americana ou argentina, organizado manifestações e abaixo-assinados contra órgãos governamentais que autorizaram comercialização e plantio destes produtos e apoiado as iniciativas para criar redes de produtores e consumidores de alimentos convencionais.

A liberação de produtos geneticamente modificados na Natureza constitui-se em uma ameaça ambiental sem precedentes, pois agride a própria integridade dessa Natureza. O Greenpeace propõe que sejam proibidas quaisquer liberações de organismos geneticamente modificados no meio ambiente. Permitir que empresas movidas pela lógica do lucro manipulem plantas e animais pode trazer conseqüências catastróficas.

Mapa: campos experimentais de transgênicos no Brasil



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