6.20.2009

ataques

>EUA sob ataque

O maior atentado terrorista da história

A começar pelas torres gêmeas do World Trade Center, principal símbolo de Nova York, os Estados Unidos foram alvejados, na manhã do dia 11 de Setembro de 2001, por uma série de ataques terroristas de proporções inimagináveis. Em Washington, parte do Pentágono, o Departamento de Defesa norte-americano, desabou após uma explosão. Dois aviões de passageiros seqüestrados pouco antes em Boston, no estado do Massachusetts, um da American Airlines e outro da United Airlines, chocaram-se em cheio contra as torres mais altas de Nova York, com intervalo de 20 minutos, dando início à ação orquestrada que chocou o mundo.

Em sua primeira reação aos ataques, o presidente George W. Bush fez um rápido pronunciamento na tv. “Hoje, tivemos uma tragédia nacional. Dois aviões atingiram o World Trade Center”, disse Bush, acrescentando ter convocado uma reunião de emergência com todas as agências de segurança nacional. À exceção de Bush, nenhuma autoridade norte-americana fez comentários sobre a tragédia. Nos 90 minutos que se seguiram ao primeiro ataque ao World Trade Center, os dois arranha-céus foram reduzidos a pó. O número de vítimas pode chegar a milhares.

Faltavam sete minutos para as nove horas da manhã, horário local (1300 GMT), quando um avião atingiu a primeira torre do World Trade Center, desencadeando uma pesada explosão. Emissoras de televisão do mundo inteiro transmitiam imagens ao vivo do incêndio quando um segundo avião chocou-se em cheio contra a outra torre, que ainda estava intacta. Os prédios, de 110 andares, concentravam centenas de escritórios e atraíam uma multidão de turistas diariamente ao centro de negócios na ilha de Manhattan. Cerca de uma hora após o ataque inicial, a torre sul desaba. Dezenas de pessoas corriam desesperadas pelas ruas, tentando escapar da torre norte e de edifícios e lojas vizinhos quando o segundo arranha-céu ruiu.

“Foi terrível. Primeiro, ouvimos uma explosão. Depois, as pessoas pulavam pelas janelas do World Trade Center para escapar das chamas”, contou o funcionário de uma empresa que funcionava no prédio, que saiu ileso. Todas os acessos à ilha de Manhattan foram fechados em pouco tempo: pontes, túneis, o cais e os aeroportos. O FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, logo informou que um dos aviões envolvidos no ataque ao World Trade Center era um Boeing 767 da companhia American Airlines, que havia sido seqüestrado em Boston. A American Airlines informou a perda de dois Boeings: o primeiro, que havia saído de Boston, e um segundo, com decolagem no aeroporto de Dulles, em Washington.

A Administração Federal de Aviação suspendeu o tráfego aéreo em todo o país. Os vôos internacionais que deveriam chegar aos Estados Unidos foram desviados para o Canadá. Este foi o segundo ataque terrorista contra as torres. Em fevereiro de 1993, seis pessoas morreram na explosão de uma bomba no subsolo.

O Pentágono: prédio mais seguro dos EUA também não escapou da ação terrorista.

O 1º suspeito

Osama bin Laden, o homem que o serviço de inteligência norte-americano aponta como o principal suspeito de planejar os atentados terroristas que destruíram completamente o World Trade Center, em Nova York e parcialmente o Pentágono, em Washington, é o líder de uma organização que se acredita ter nos Estados Unidos seu maior alvo desde o início da década passada. Fundamentalista islâmico e filho de um bilionário saudita, bin Laden está na lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados pelo FBI desde 1999 e sua captura vale uma recompensa de cinco milhões de dólares.

Os promotores norte-americanos dizem que bin Laden é o líder da al-Qaeda (que em português significa "a Base"), uma organização mundial acusada de diversos ataques a alvos norte-americanos nos cinco continentes, alguns fracassados e outros bem-sucedidos. Entre as atividades da al-Qaeda estariam o plano de um atentado a bomba durante a virada do milênio, o ataque ao destróier norte-americano USS Cole no Iêmen, no ano passado, e os atentados a bomba contra as embaixadas dos Estados Unidos na Tanzânia e no Quênia, em 1998. O ressentimento de bin Laden contra os Estados Unidos remonta à decisão da Arábia Saudita, em 1990, de permitir que tropas norte-americanas atacassem dali as forças iraquianas no Kuwait e no Iraque. Após a vitória, a presença militar norte-americana no país tornou-se permanente.

Em uma entrevista concedida à CNN em 1997, bin Laden afirmou que a contínua presença militar norte-americana na Arábia Saudita era uma "ocupação da terra e dos locais sagrados". Bin Laden deixou seu país em 1991, após um desentendimento com a monarquia saudita, e levou consigo uma herança estimada em 250 milhões de dólares. Em 1996, emitiu uma "fatua", um decreto religioso convocando todos os muçulmanos a matar os soldados norte-americanos na Arábia Saudita e na Somália. Uma segunda "fatua" expedida em 1998 conclamava ataques contra civis norte-americanos.

Organização remonta à Guerra do Afeganistão

Bin Laden começou a formar sua rede de operações em 1979, quando foi ao Afeganistão combater as tropas soviéticas ao lado da resistência conhecida como mujahedin. Usando seus recursos financeiros e as relações de sua família, bin Laden levantou dinheiro para a resistência e forneceu aos mujahedins apoio logístico e humanitário, tendo participado de várias batalhas. Quando a guerra com os soviéticos se aproximava de um fim, bin Laden formou a al-Qaeda, uma organização composta por ex-mujahedins e outros colaboradores da resistência. E quando as tropas soviéticas retiraram-se do Afeganistão, ele retornou para a Arábia Saudita para trabalhar com a empreiteira se sua família, o Grupo bin Laden. Nesta época, o milionário envolveu-se com grupos sauditas que se opunham à monarquia da família Fahd. Em 1994, o governo saudita retirou-lhe a cidadania e congelou seus ativos no país.

Ligações com outros grupos radicais

Acredita-se que bin Laden esteja no centro de uma coalizão de radicais islâmicos. A al-Qaeda aliou-se a grupos fundamentalistas de princípios semelhantes, como a Al Jihad, no Egito, o Hezbolá, no Irã, e a Frente Nacional Islâmica, no Sudão, além de outros grupos que defendem a Guerra Santa, no Iêmen, Arábia Saudita e Somália, segundo o governo norte-americano. A organização de bin Laden também tem vínculos com o "Grupo Islâmico", que já foi liderado pelo xeque Omar Abdel Rahman, o clérigo egípcio que cumpre prisão perpétua desde sua condenação, em 1995, pelo plano de explodir diversos marcos da cidade de Nova York. Sabe-se inclusive que dois dos filhos do xeque Rahman se uniram às fileiras de bin Laden no fim dos anos 90.

Os Estados Unidos alegam que, desde 1992, bin Laden e outros membros da al-Qaeda fixaram como alvo as forças militares norte-americanas na Arábia Saudita e no Iêmen, além daquelas posicionadas no Chifre da África, o que inclui a Somália. Em outubro de 1993, 18 soldados norte-americanos que trabalhavam em operações humanitárias na Somália foram mortos durante uma operação em Mogadíscio e seus corpos, arrastados pelas ruas da capital. Em 1996, bin Laden foi indiciado sob acusação de treinar pessoas envolvidas no ataque. Um ano depois, em entrevista à CNN, o dissidente saudita admitiu que seus seguidores, junto com muçulmanos que viviam na cidade, mataram os soldados. A polícia norte-americana também o acusa de estar envolvido em ataques fracassados a dois hotéis iemenitas que hospedavam soldados norte-americanos a caminho da Somália. No dia 7 de agosto de 1998, oito anos após a entrada das tropas norte-americanas na Arábia Saudita, dois caminhões-bomba explodiram em embaixadas norte-americanas na África, um em Nairóbi, no Quênia, e outro em Dar es Salaam, na Tanzânia.

Bin Laden negou sua responsabilidade nos ataques, mas os promotores norte-americanos afirmam que sua culpa pode ser provada por mensagens de fax enviadas através de seu celular em Londres para pelo menos três órgãos de imprensa internacionais. Também citaram afirmações incriminadoras feitas por supostos terroristas envolvidos nos atentados, que admitiram ser membros da al-Qaeda. Quatorze dias depois, em 20 de agosto, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, ordenou ataques com mísseis contra supostos campos de treinamento terroristas no Afeganistão e a uma fábrica química em Cartum, no Sudão.

Bin Laden sobreviveu aos ataques e, em novembro do mesmo ano, foi indiciado nos Estados Unidos sob acusação de tramar os ataques às embaixadas. Quatro suspostos membros de sua organização foram condenados este ano à prisão perpétua pelos atentados e vários outros suspeitos aguardam julgamento sob custódia. Ahmed Ressam, o homem que se declarou culpado pela tentativa fracassada de explodir uma bomba no Aeroporto Internacional de Los Angeles durante as comemorações da virada do milênio, também alegou ter sido treinado em um campo no Afeganistão por bin Laden, onde aprendeu a montar bombas e a manejar revólveres, metralhadoras e lançadores de granadas. Suspeita-se que Bin Laden viva no Afeganistão como um convidado do Talibã, milícia fundamentalista islâmica que governa 95 por cento do país. As autoridades talibãs, por sua vez, condenaram os ataques do dia 11 de setembro contra os Estados Unidos, mas questionaram o envolvimento de Bin Laden.



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